Um Tesla Model 3 usado com 125 mil km rodados ainda tem 92% da bateria. É um bom resultado, mas nada excepcional.

A Tesla Model 3 RWD de quatro anos, de Xangai, com bateria LFP e quilometragem de 77.726 milhas, ou seja, 125.088 km, passou por um teste integrado de condição da bateria. O veículo apresentou 92% de saúde da bateria, apesar dos novos proprietários não conhecerem seu histórico de carregamento. Para compradores de carros elétricos usados, essa é uma informação mais importante do que as afirmações de marketing sobre “pequena degradação”.
O carro foi adquirido pela família do youtuber Matt Goes Electric com quilometragem de aproximadamente 76 mil milhas (122 mil km). Trata-se de uma Tesla Model 3 de 2022, na versão traseira, com pacote LFP produzido em Xangai. O modo anterior de uso permaneceu um mistério: não se sabia com que frequência o carro era carregado por DC nem como a bateria era tratada no dia a dia.
A Tesla calculou sozinha o estado da bateria
O teste embutido da bateria na Tesla requer que o carro seja conectado à tomada, descarregue e depois recarregue completamente. Quando o procedimento terminou, o veículo indicou cerca de 92% da capacidade inicial.
Durante o teste, o carro absorveu 62,4 kWh da tomada. Após subtrair as perdas típicas de carregamento, que são de 10%, isso resulta em aproximadamente 56,2 kWh de energia que chega à bateria. Se compararmos esse valor com a capacidade bruta estimada do novo pacote, que é de 60,5 kWh, obtemos 92,9%. Ou seja, praticamente o mesmo que foi indicado pelo carro.
Isso se alinha com outras observações. O vendedor sueco de carros elétricos usados Carl, após testar vários Modelos 3 com bateria LFP, relatou que, após 62 mil milhas (100 mil km), os carros mantinham, em média, 93,3% da capacidade.
Há ainda outro cálculo, mas é melhor não superestimá-lo
Aí surge um problema. Comparar 56,2 kWh com a capacidade bruta não é ideal, pois o motorista nunca tem à disposição todo o pacote de energia. Parte da energia fica armazenada no buffer, e a isso se somam as perdas e o consumo energético decorrentes do controle da temperatura.
Se compararmos então 56,2 kWh com a capacidade útil estimada da nova bateria, que é de 57-57,5 kWh, obteríamos um resultado absurdamente bom: de 97,7 a 98,6%. Só que isso é mais uma brincadeira com planilhas do que uma medição precisa. Não conhecemos com precisão laboratorial o estado inicial, as reais perdas de conversão, nem quanto energia foi gasta com refrigeração e eletrônica.
Por isso, 92% no teste da Tesla é hoje o melhor número que se pode aceitar de forma honesta. É um bom resultado? Sim. Excelente? Não necessariamente. Depois de 4 anos e quase 78 mil milhas, tal resultado acaba mais por tranquilizar do que surpreender.
Ao comprar um EV usado, é exatamente isso que deve ser procurado: não a declaração do vendedor, mas sim um teste realizado no veículo. Vocês comprariam uma Tesla com histórico desconhecido se a bateria mantivesse 92% de sua capacidade?
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