A Cidade de Nova York declara guerra às bicicletas elétricas rápidas, enviando cartas de cessar atividades à Amazon e ao Walmart


A regulamentação da micromobilidade continua a se tornar mais rígida na Cidade de Nova York, e agora o prefeito Zohran Mamdani está mirando nos varejistas online que se tornaram uma importante fonte de bicicletas e scooters elétricos de alta velocidade.
O gabinete do prefeito enviou cartas de cessação às atividades para 40 varejistas online, incluindo Amazon, Walmart, Target, Temu, Wayfair e outros, exigindo que eles parem de vender bicicletas elétricas, scooters elétricos e veículos semelhantes que não cumprem as leis da Cidade de Nova York.
De acordo com a prefeitura, os varejistas têm até o final deste mês para parar de vender esses veículos proibidos aos residentes da Cidade de Nova York, sob risco de multas de até 2.000 dólares.
A medida faz parte dos esforços contínuos da cidade para reprimir as bicicletas elétricas que não se enquadram na definição de bicicletas elétricas estabelecida por Nova York. A cidade impôs restrições mais rígidas a bicicletas elétricas e patinetes elétricos do que a maioria dos outros estados dos EUA. Por exemplo, embora as bicicletas elétricas da Classe 3, que podem atingir até 28 mph (45 km/h), sejam legais em quase todo o país, elas ultrapassam o limite de velocidade ligeiramente menor de 25 mph (40 km/h) estabelecido para bicicletas elétricas em Nova York, sendo portanto consideradas ilegais na cidade quando excedem esse valor.
Além disso, Mamdani declarou como objetivo reprimir as motocicletas elétricas ainda mais rápidas, que ultrapassam as classificações normais de bicicletas elétricas e se enquadram na categoria de motocicletas elétricas off-road.

É uma distinção que se tornou cada vez mais turva nos últimos anos, à medida que os fabricantes, especialmente as marcas estrangeiras que vendem diretamente online, introduziram motocicletas de duas rodas cada vez mais potentes, com velocidades máximas bem acima do que a maioria dos estados define como bicicleta elétrica.
Embora a lei federal limite as bicicletas elétricas para consumidores a 750W de potência contínua do motor, muitos anúncios online promovem equipamentos com várias milhares de watts de potência e velocidades superiores a 30 mph (51 km/h), ainda utilizando o termo “bicicleta elétrica”. Essas máquinas frequentemente não possuem VINs ou o equipamento necessário para serem legalmente registradas como ciclomotores ou motocicletas, deixando os usuários com veículos que não se encaixam perfeitamente nas regulamentações existentes.
A Amazon já respondeu à carta de cessação, afirmando que está analisando os produtos identificados pela prefeitura.
“A segurança é uma prioridade máxima e exigimos que as bicicletas elétricas vendidas em nossa loja atendam aos padrões de segurança aplicáveis e às políticas da Amazon”, disse um porta-voz da Amazon, acrescentando que a empresa está disposta a trabalhar com o gabinete do prefeito e o Conselho Municipal para resolver esse problema.
A ação reforça também um desafio crescente para as cidades que tentam regular a micromobilidade. As lojas físicas de bicicletas geralmente entendem as regulamentações locais e dispõem de produtos que cumprem os requisitos, mas as plataformas online costumam abrigar milhares de vendedores terceirizados que enviam diretamente para os consumidores, sem levar em conta as classificações locais de veículos.
Para os ciclistas, isso serve como mais um lembrete de que o fato de um produto ser anunciado online como bicicleta elétrica não significa necessariamente que seja legal usá-lo dessa forma. Cada vez mais, as cidades estabelecem uma linha clara entre bicicletas elétricas verdadeiras e motocicletas elétricas disfarçadas de bicicletas – e, no caso de cidades como Nova York, às vezes essa linha é arbitrária.
E agora essas cidades estão pedindo aos varejistas que façam o mesmo.