Não há mecânicos suficientes nem especializados nas oficinas espanholas, e é preciso esperar mais tempo para a reparação de um carro.

03/09/2026 10:00
Atualizado em
03/09/2026 10:00
Encontrar um horário disponível na oficina pode se tornar cada vez mais difícil. O setor de reparação de automóveis alerta para uma escassez crescente de mecânicos, pintores e profissionais especializados em reparos estruturais, um problema que já está causando listas de espera mais longas para os clientes.
A dificuldade não parece estar no fato de haver menos carros para consertar. Pelo contrário: o parque automotivo continua precisando de manutenção, e, ao mesmo tempo, os veículos estão se tornando cada vez mais complexos. O problema é encontrar profissionais jovens dispostos a ingressar na área e que também possuam a formação necessária.
As próprias oficinas reconhecem que não há substituição generacional suficiente e que preencher determinadas vagas está se tornando uma tarefa complicada.

Os carros atuais precisam de mecânicos cada vez mais especializados
Ser mecânico já não consiste apenas em conhecer motores, embreagens ou caixas de câmbio. A chegada dos carros híbridos e elétricos introduziu sistemas de alta tensão, baterias, inversores, eletrônica de potência e ferramentas de diagnóstico muito mais avançadas. A isso se soma a rápida expansão das marcas chinesas na Espanha, com modelos, plataformas e componentes que muitos oficinas ainda estão começando a conhecer.
Isso obriga os profissionais a atualizarem continuamente sua formação. Paradoxalmente, o setor enfrenta dificuldades para atrair justamente as novas gerações que deveriam adquirir esses conhecimentos. Os workshops visam, entre outras razões, combater a percepção pouco atrativa da profissão entre alguns jovens e as expectativas laborais muito influenciadas pelo que eles veem nas redes sociais. Mas o problema não pode ser reduzido apenas a uma falta de interesse.

Se formar também custa dinheiro
Outra das questões apontadas pelo setor é o acesso à formação. Nem todos os jovens conseguem se dar ao luxo de estudar em centros privados especializados, e as associações reivindicam mais oportunidades de formação acessível que permitam colocar profissionais qualificados no mercado de trabalho.
A isso se soma uma situação complicada para as próprias empresas ao contratarem aprendizes. Treinar alguém do zero requer tempo e recursos, enquanto os custos salariais começam a partir do Salário Mínimo Interprofissional.
De acordo com as explicações do setor, em alguns casos a oficina assume grande parte dessa formação e, quando o trabalhador adquire experiência, acaba indo para outra empresa com condições melhores. O resultado é um ciclo difícil de quebrar: faltam profissionais, formar novos trabalhadores tem um custo elevado e as empresas competem entre si por uma mão de obra cada vez mais escassa.

As oficinas pirata agravam o problema
O setor aponta ainda a proliferação de oficinas ilegais ou “pirata” como outro fator que prejudica os negócios que cumprem com as obrigações trabalhistas, fiscais e de formação.
Enquanto isso, a falta de mão de obra começa a ter uma consequência muito visível para o motorista: mais tempo entre o pedido de agendamento e a entrada efetiva do carro na oficina.
E o problema pode se intensificar à medida que os veículos passarem a exigir perfis ainda mais especializados. O automóvel está passando por uma transformação enorme, mas nem tudo depende de fábricas de baterias, software ou novos modelos elétricos. Há uma parte muito mais cotidiana dessa transição que também precisa de trabalhadores qualificados: alguém terá que diagnosticar, manter e consertar todos esses carros nos próximos anos.
Se não houver pessoas suficientes chegando a esse ramo, a conta não será apenas para as oficinas. Isso também se refletirá no tempo que os motoristas terão que esperar para recuperar seu carro.