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Regulamentação

Mil euros para abater um carro antigo? ACAP considera que não chega

Mil euros para abater um carro antigo? ACAP considera que não chega

O secretário-geral da ACAP defende um incentivo ao abate mais elevado e teme que os novos apoios aos elétricos tenham um impacto limitado.

© André Mendes / Razão Automóvel

O Governo anunciou que o novo programa de incentivos à compra de carros elétricos para famílias carenciadas de até 15 mil euros terá uma majoração de 1000 euros para quem entregar um automóvel com motor de combustão para abate.

A medida é bem recebida pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), sobretudo por deixar de tornar o abate obrigatório para beneficiar do incentivo principal. Mas o valor anunciado está longe de convencer a associação.

Em declarações exclusivas à Razão Automóvel, Helder Pedro, secretário-geral da ACAP, defendeu que o Governo deveria atribuir uma majoração mais elevada para realmente incentivar os automobilistas a desfazerem-se dos seus veículos mais antigos.

Em 2009 o incentivo ao abate era superior

Questionado sobre o valor anunciado pelo Governo, Helder Pedro recordou que Portugal já teve programas de incentivo ao abate com comparticipações superiores.

“Em 2009 já tivemos um programa de incentivo ao abate no valor de 1250 euros”, afirmou, defendendo que, 17 anos depois, “o valor podia ser realmente superior” sob pena das pessoas não verem apelo suficiente na entrega de veículos mais antigos.

Ainda assim, Helder Pedro considera positiva a decisão de separar o incentivo à aquisição de um elétrico da obrigatoriedade de entregar um carro para abate.

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Para a ACAP, esta deveria continuar a ser uma opção dos compradores, acompanhada por um benefício financeiro suficientemente atrativo para contribuir para a renovação do parque automóvel português.

ACAP quer incentivos mais abrangentes

Mas o valor da majoração por abate não é a única crítica da ACAP às medidas anunciadas pelo Governo.

Helder Pedro considera que os incentivos continuam a ser demasiado limitados em número de beneficiários e defende que o Executivo deveria apostar num programa mais abrangente, capaz de apoiar a substituição de um maior número de veículos antigos.

Em declarações à Razão Automóvel, e numa alusão ao apoio para a compra de veículos 100% elétricos ligeiros de passageiros novos, que em 2026 foi de 4000 euros, distribuídos por apenas 1375 incentivos, o secretário-geral da ACAP chegou mesmo a referir: “Aquele número que esgota em cinco minutos deveria ser 10, 15 ou 20 mil carros”.

A associação considera que, sem uma maior abrangência, os incentivos terão uma implementação limitada e, como tal, pouca capacidade para contribuir para a renovação do parque circulante: “É positivo que haja. Mas são meros paliativos”, confessou Helder Pedro.

Elétricos de serviço também deviam ter apoio

Outra das alterações defendidas pela ACAP passa pelo alargamento dos veículos elegíveis para os incentivos.

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Questionado pela Razão Automóvel sobre a possibilidade deste programa incluir automóveis usados, Helder Pedro sugeriu que os apoios deveriam abranger, pelo menos, os veículos elétricos de serviço ou demonstração disponíveis nos concessionários.

“Poderia ser aplicado aos próprios veículos de demonstração elétricos, que existem nos concessionários, por exemplo. É uma opção também válida”, afirmou o secretário-geral da ACAP.