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Eles passaram anos buscando uma solução para melhorar as placas solares, e a solução era simplesmente trocar um átomo neste material

Eles passaram anos buscando uma solução para melhorar as placas solares, e a solução era simplesmente trocar um átomo neste material

17/09/2026 12:00

Atualizado em

17/09/2026 12:00

Há anos, a tecnologia fotovoltaica procura alternativas ao silício tradicional para aumentar a eficiência na captação de energia solar. Nessa busca, a perovskita surgiu como o material promissor do século XXI, embora com um grave problema: sua dependência de chumbo ou, na falta dele, uma extrema instabilidade ao entrar em contato com o ar e a umidade.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison conseguiu resolver esse problema sem recorrer a máquinas complexas nem a novos compostos sintéticos. A solução consistiu em substituir um único átomo dentro da estrutura molecular da perovskita de estanho. Uma pequena mudança que promete acelerar a implementação de instalações solares mais limpas, eficientes e duradouras.

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O desafio de eliminar o chumbo nas células de perovskita

A perovskita é um material híbrido que combina componentes orgânicos e inorgânicos em uma estrutura cristalina muito eficaz para capturar a luz solar e convertê-la em eletricidade. No entanto, as versões com maior desempenho utilizam chumbo, um metal pesado e tóxico que gera sérias dúvidas sobre o impacto ambiental e a sustentabilidade no final da vida útil dos painéis.

Para evitar o uso de chumbo, a indústria voltou sua atenção para as perovskitas de estanho. Embora o estanho seja uma alternativa ecológica e quimicamente semelhante, sua rápida oxidação ao ser exposto às condições ambientais cotidianas representava um problema significativo. Assim que o material entrava em contato com o oxigênio ou a umidade do ar, sua estrutura se degradava em questão de horas, perdendo quase completamente a capacidade de gerar corrente.

O grafeno é um nanomaterial bidimensional com a espessura de um átomo, termocondutor, mais duro que o diamante, flexível como o borracha e transparente.

Substituir um único átomo para proteger a estrutura

Diante da tendência comum de aplicar camadas protetoras externas ou selos complexos ao redor das células, o grupo de pesquisa abordou o problema a partir da microarquitetura do próprio composto. A intervenção não exigiu a síntese de um material novo, mas sim a substituição de um átomo de flúor por um de cloro na molécula orgânica que sustenta a rede cristalina da perovskita.

Essa modificação alterou a maneira como os cristais se encaixam entre si. Ao incorporar o cloro, eles adotaram uma disposição muito mais compacta e ordenada, eliminando os espaços microscópicos por onde antes penetravam o ar e a umidade. Como resultado, a própria estrutura do material passou a atuar como uma barreira natural contra agentes externos, sem comprometer o transporte de elétrons.

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Eficiência e estabilidade notáveis

Os resultados da mudança em nível atômico são significativos para o desenvolvimento de energia solar de terceira geração. As células desenvolvidas alcançaram uma eficiência de conversão de 16,2 %, um valor relevante para dispositivos à base de estanho sem chumbo.

Além do valor da potência instantânea, o fator crucial é a durabilidade que essas células alcançam. Durante os testes de laboratório em ar seco, os dispositivos mantiveram mais de 95 % de seu desempenho inicial após 1.600 horas de exposição, o que equivale a cerca de 67 dias. Sob condições contínuas de estresse operacional, com iluminação solar simulada e aumento da temperatura até 55 °C, o material manteve cerca de 80 % de sua capacidade após 1.000 horas de funcionamento ininterrupto.

A melhoria na estabilidade das perovskitas sem chumbo abre um novo campo de aplicação direta no setor de energias renováveis. A obtenção de painéis solares mais estáveis, eficientes e livres de metais pesados facilita uma integração mais sustentável em infraestruturas de recarga, telhados residenciais e até mesmo na possível instalação sobre as carrocerias de carros elétricos.