A Geely e a Renault unem suas forças e investem 899.000.000 € para competir com os 25.000 carros mensais da BYD

19/09/2026 13:00
Atualizado em
19/09/2026 13:00
A disputa pelo mercado brasileiro e sul-americano de carros elétricos e híbridos está se intensificando, e a Renault e a Geely acabaram de aumentar sua aposta nesse setor. Ambas as empresas anunciaram um investimento adicional de 319 milhões de euros por meio de sua empresa conjunta no Brasil, ampliando assim a cooperação industrial que iniciaram há menos de um ano nesse país sul-americano. Na Europa, a Geely e a Renault mantêm uma estreita colaboração, principalmente por meio de sua empresa de motores Horse Powertrain.
Com este novo investimento, o compromisso conjunto das duas marcas no Brasil entre 2025 e 2027 já chega a 899 milhões de euros, valor que cobre a produção de veículos de novas energias, melhorias nas fábricas e expansão comercial. Não se trata de uma ação isolada, mas da consolidação de uma parceria que surgiu com um objetivo bem definido: enfrentar a rápida expansão da BYD no mercado brasileiro.
Uma aliança iniciada há menos de um ano

O acordo entre as duas empresas data de novembro de 2025, quando a Geely Holding Group e a Geely Automobile Holdings concluíram a aquisição de uma participação de 26,4% na Renault do Brasil. De acordo com os termos do acordo, a Geely utilizaria as instalações de produção já existentes da Renault no Brasil, juntamente com sua cadeia de suprimentos e sua rede de concessionárias, para acelerar a chegada de veículos de novas energias ao país. Em troca, a Renault teria acesso à tecnologia elétrica da Geely para expandir sua própria linha de veículos eletrificados.
A distribuição dos benefícios entre as duas marcas é bastante clara. Para a Geely, o acordo garante acesso direto à capacidade de produção local da Renault e à sua rede comercial já estabelecida no país. Para a Renault, o benefício consiste em melhorar a utilização de suas fábricas ao mesmo tempo em que amplia sua linha de produtos com veículos de maior tamanho. Como parte desse novo plano de investimento, a tecnologia híbrida Hybrid E-Tech 4x4 com combustível flexível da Renault entrará em produção no Brasil a partir de 2027.
BYD, o rival que obriga a acelerar
O contexto que explica esse investimento tem um nome próprio. A BYD vendeu 24.467 veículos no Brasil em agosto de 2026, um aumento de 149,3% em relação ao ano anterior, o que lhe garantiu uma participação de mercado de 9,3% e a transformou na quarta maior fabricante de automóveis do país. O Dolphin Mini foi o modelo mais vendido da marca chinesa. Ao mesmo tempo, a BYD está acelerando sua produção local: em julho, sua fábrica em Camaçari, no Brasil, alcançou a marca de 100.000 unidades de veículos de energia renovável produzidas.
A Geely também acelera, embora partindo de uma base menor

A própria Geely está obtendo resultados notáveis no Brasil. A marca vendeu 7.524 veículos em agosto, um aumento de mais de 4.600% em comparação com o mesmo período do ano anterior, sendo sua melhor marca de vendas mensais desde sua entrada no mercado, superando até mesmo fabricantes já estabelecidos como a Nissan. São números que, embora ainda estejam longe dos da BYD, demonstram o impulso que a marca chinesa está ganhando no país, graças, em parte, a essa parceria com a Renault.
Olhando para o futuro mais imediato, o Geely EX2 começará a ser produzido localmente no Complexo Ayrton Senna da Renault no Brasil, tornando-se o segundo modelo fabricado no país dentro dessa parceria, após o SUV híbrido recarregável EX5 EM-i, e o primeiro veículo 100% elétrico produzido nessa mesma fábrica. A produção do EX5 EM-i está prevista para começar no terceiro trimestre de 2026, enquanto o EX2 começará a ser produzido e entregue no Brasil no quarto trimestre do mesmo ano.