Futuro das trotinetas em Lisboa vai ser decidido em referendo municipal

O ACP já reuniu as mais de 5000 assinaturas necessárias para levar a referendo o futuro das trotinetas elétricas partilhadas em Lisboa.
O Automóvel Club de Portugal (ACP) anunciou ter recolhido 20 mil assinaturas validadas para promover um referendo municipal sobre a continuidade das trotinetes elétricas partilhadas em Lisboa. O número ultrapassa largamente as 5000 subscrições necessárias para avançar com uma iniciativa popular deste tipo.
A recolha arrancou no início do mês passado. Para serem contabilizadas como válidas, as assinaturas tinham de pertencer a cidadãos maiores de 18 anos e recenseados no município de Lisboa.
A iniciativa pretende que sejam os próprios eleitores de Lisboa a pronunciar-se sobre a permanência deste serviço no espaço público da capital. Como foi noticiado anteriormente, o ACP tem apontado questões relacionadas com o aumento do número de acidentes envolvendo utilizadores, peões e outros veículos, a ocupação indevida dos passeios, os obstáculos à circulação, os problemas de acessibilidade e a falta de fiscalização.

“Porque é uma questão divisiva, para uns as trotinetes elétricas partilhadas são problema, para outros solução. Queremos que sejam os lisboetas a escolher como circular nas ruas de Lisboa”, avançou o clube na altura.
O que se segue?
Concluída a recolha e validação das assinaturas, o ACP vai apresentar formalmente a iniciativa à Assembleia Municipal de Lisboa.
O processo prevê uma primeira verificação dos requisitos legais pelo presidente da Assembleia Municipal. Segue-se a análise por uma comissão, que dispõe de 15 dias para apreciar. Depois desta fase, a proposta será submetida a votação em plenário da Assembleia Municipal. Tratando-se de uma iniciativa popular, a deliberação deverá ocorrer, em princípio, no prazo de 30 dias após a sua receção.
Caso a realização do referendo seja aprovada, a decisão terá ainda de ser enviada ao Tribunal Constitucional, que verificará a sua constitucionalidade e legalidade. O tribunal dispõe, em princípio, de 25 dias para se pronunciar.
Só depois de cumpridas estas etapas e obtida uma decisão favorável poderá avançar o processo para a realização do referendo. Nessa altura, os eleitores de Lisboa serão chamados a decidir sobre a continuidade das trotinetas elétricas partilhadas na cidade.
Cerca de 6000 trotinetas
Segundo o ACP, existem atualmente cerca de 6000 trotinetas elétricas partilhadas a circular na via pública em Lisboa. A capital portuguesa torna-se assim mais uma das cidades que está a ponderar acabar com este meio de transporte, mas não é a primeira em Portugal. No início deste mês, Braga removeu de forma definitiva as trotinetas elétricas partilhadas do espaço público.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, “as trotinetes partilhadas são mais um problema do que uma vantagem para a cidade” e “dificultam mais a vida dos bracarenses do que a beneficiam”. Só este ano, já se registaram mais de 40 acidentes envolvendo, sobretudo, trotinetes, muitos deles com jovens com menos de 18 anos, segundo o autarca.