← Voltar às notícias
Carregamento

Estudo prevê sobrevivência de apenas 15 marcas chinesas até 2030

Estudo prevê sobrevivência de apenas 15 marcas chinesas até 2030

A guerra de preços ameaça uma centena de marcas chinesas. A AlixPartners antecipa uma forte consolidação do mercado até 2030.

O crescimento dos elétricos e híbridos plug-in transformou a China num dos mercados automóveis mais competitivos do mundo. A quantidade de marcas e modelos disponíveis, porém, esconde uma dificuldade: muitas empresas continuam sem conseguir gerar lucro.

Segundo o Global Automotive Outlook, da consultora AlixPartners, das 129 marcas que vendem elétricos e híbridos plug-in no mercado chinês, apenas 15 deverão atingir viabilidade financeira em 2030.

A atualização de junho de 2026 deste estudo reforça o alerta: a consultora prevê que apenas sete dos 30 fabricantes chineses atinjam o equilíbrio financeiro em 2030. A previsão aponta para encerramentos, aquisições e integração de marcas em grupos maiores. A sobrevivência também poderá passar pelo apoio dos acionistas ou das autoridades locais, interessadas em proteger empregos e fornecedores.

Leapmotor B03 e B05 no Salão de Paris

As marcas mais bem posicionadas

O excesso de capacidade produtiva, os descontos sucessivos e o investimento permanente em novos modelos estão a pressionar as contas. A AlixPartners não divulgou os nomes.

Ainda assim, a escala comercial, os resultados financeiros e o apoio industrial permitem identificar algumas candidatas bem posicionadas para atravessar esta consolidação. A seleção seguinte é uma análise editorial da Razão Automóvel, e não uma lista atribuída à consultora.

A BYD destaca-se pela escala e rentabilidade, com 4,6 milhões de elétricos e híbridos plug-in vendidos em 2025. A Geely, a Zeekr e a Lynk & Co beneficiam da partilha de tecnologia e recursos dentro do mesmo grupo.

O grupo Chery, também responsável pela Omoda e pela Jaecoo, exportou 1,34 milhões dos 2,8 milhões de veículos vendidos em 2025. A parceria com a Ebro, em Barcelona, reforça a internacionalização. Já a Changan Automobile ultrapassou 1,1 milhões de veículos de novas energias vendidos nesse ano e manteve resultados positivos.

A MG combina o apoio industrial da SAIC com uma rede europeia consolidada, tendo superado 190 mil vendas na região no primeiro semestre de 2026. A Dongfeng, grupo estatal com marcas como a Voyah e a M-Hero, dispõe igualmente de dimensão industrial: vendeu 1,04 milhões de veículos de novas energias em 2025.

Entre os fabricantes mais recentes, a Leapmotor fechou 2025 com lucro e beneficia da parceria com a Stellantis. Com apenas sete anos de existência tem sido uma das estrelas em ascensão na indústria automóvel mundial. A Xiaomi é outro bom exemplo, aliando recursos financeiros e notoriedade a um crescimento rápido.

Finalmente, a Xpeng mantém argumentos tecnológicos e a Li Auto — que acabou de chegar à Europa — dispõe de reservas financeiras e de um histórico de rentabilidade. Contudo, ambas registaram prejuízos no primeiro semestre de 2026, evidenciando a pressão mesmo sobre fabricantes com posições relevantes.

Recordamos que as vendas de automóveis na China estão a cair mais de 20% este ano. Caso essa dimensão se mantenha até ao final do ano, significa, em termos absolutos, uma quebra de mais de cinco milhões de unidades.

As exportações têm ajudado a compensar esta quebra e a aliviar a pressão sobre as contas dos fabricantes chineses, estando a subir 65%.

Europa como tábua de salvação

Produzir na Europa tem permitido aos fabricantes chineses aproximarem-se dos clientes e fornecedores e reduzir a exposição às tarifas sobre os elétricos importados da China.

A BYD prepara a fábrica de Szeged, na Hungria, com produção em série prevista para o último trimestre de 2026, e estuda mais duas unidades europeias. Em Barcelona, a Chery e a Ebro recuperam a antiga fábrica da Nissan, que já monta modelos Ebro. A produção de modelos Chery está apontada para o final de 2026 ou início de 2027.

A Leapmotor iniciou a produção do B10 em Saragoça, com a Stellantis, em outubro de 2026, aproveitando uma unidade existente e a experiência industrial do parceiro europeu.

Estes projetos enquadram-se nos planos identificados pela AlixPartners para elevar a produção chinesa no estrangeiro de 1,2 milhões de veículos em 2025 para 3,4 milhões em 2030, abrangendo o conjunto da indústria. A consolidação poderá concentrar recursos em grupos mais fortes, capazes de disputar aos fabricantes europeus clientes, fornecedores e capacidade industrial.