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Regulamentação

Elétricos em fim de vida. O que acontece?

Elétricos em fim de vida. O que acontece?

A mobilidade elétrica traz novos desafios ao abate automóvel, mas também oportunidade na reutilização e reciclagem de baterias.

O setor automóvel vive uma transformação profunda com a mobilidade elétrica, mas o fim de vida dos veículos coloca novas questões: o que acontece quando um carro elétrico chega ao fim da estrada?

Para Vítor Pereira, Presidente da Associação Nacional de Centros de Abate de Veículos (ANCAV), a resposta passa por preparar o setor para a economia circular.

Na mais recente edição do Auto Talks, um podcast da Razão Automóvel com o apoio do Credibom, gravado no Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico (SAHE), no Porto, o responsável sublinhou que os centros de abate são hoje pilares tecnológicos.

Vitor Pereira e Guilherme Costa (1)

“Os elétricos continuam aí e estão a ter a sua longevidade” começou por realçar. Atualmente, os elétricos e híbridos representam apenas 0,4% dos abates em Portugal, a maioria acidentadas. “São claramente viaturas que chegaram ao fim de vida por sinistro e não por obsolescência”, destacou.

Desmantelamento é o primeiro desafio

A chegada de um elétrico a um centro de abate exige segurança e gestão de alta voltagem. O processo exige, normalmente, uma zona relativamente isolada, e o cuidado de avaliar o estado da bateria, avançou o responsável.

Os centros avaliam o estado de saúde da bateria através do indicar State of Health (SOH) para decidir o destino do componente. “Mediante esta informação, tomam decisões se encaminham para a reutilização direta ou se encaminham para outros cenários”.

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Os três caminhos para uma bateria

Existem três cenários de reaproveitamento. O primeiro é a reutilização direta. Caso não seja possível, “elas são reconvertidas para processos estacionários, para apoio a energias fotovoltaicas”.

No limite, são trituradas. Deste processo resulta aquilo a que se chama “massa negra”, um pó escuro e fino composto por grafite e metais valiosos. “Essas matérias vão para uma refinaria onde são novamente recuperadas matérias raras”, detalhou Vítor Pereira.

Liderança ibérica na reciclagem?

Graças a uma aposta considerável neste setor, Portugal poderá fechar o ciclo de reciclagem e reaproveitamento de baterias no seu território já em 2028, reduzindo a necessidade de encaminhar estes materiais para outros países europeus.

A empresa b.again (do grupo DST), em Braga, já processou 500 toneladas de baterias este ano, com capacidade para 7 mil toneladas anuais. A unidade assinou um protocolo com a CALB, que planeia uma fábrica em Sines.

“Nós estamos a um passo, em 2028, creio, de termos o ciclo totalmente fechado”, congratulou-se Vítor Pereira, fazendo comparação com Espanha, cujo projetos semelhantes só deverão arrancar 2027 e 2028.

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Mercado paralelo é ameaça

O grande desafio do setor é o mercado ilegal de desmantelamento. “Continuamos a ter viaturas que são desmanteladas sem qualquer tipo de controle e essas peças, aparecem no mercado sem controlo”.

Para combater a fraude, a ANCAV defende a redução do IVA das peças usadas dos atuais 23% para a taxa mínima. “Essas peças, esses componentes, devem ser taxados ou a zero ou à taxa mínima, no caso 6% em Portugal”, concluiu.