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O preço do diesel atinge 1,9 euros por litro nos Estados Unidos, que considera reduzir as exportações para a Europa

O preço do diesel atinge 1,9 euros por litro nos Estados Unidos, que considera reduzir as exportações para a Europa

O mercado mundial de diesel está entrando em uma situação especialmente delicada. A Rússia está reduzindo suas exportações após os ataques sofridos por várias de suas principais refinarias, enquanto os Estados Unidos enfrentam preços que já atingiram máximos históricos e começam a considerar se devem reservar uma parte maior de sua produção para o próprio mercado. O problema é que a Europa chega a esse cenário ainda dependendo em grande medida do diesel importado.

A situação nos Estados Unidos serve como um dos melhores indicadores de até onde o problema pode chegar. O preço médio do diesel no país ultrapassou pela primeira vez os 6 dólares por galão, sendo de 6,28 dólares por galão na semana de 14 de setembro, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos. Isso corresponde a aproximadamente 1,66 dólares por litro. Na Califórnia, onde os preços costumam ser um indicador especialmente sensível às tensões do mercado, a média chegou a 8,21 dólares por galão, o que equivale a cerca de 2,17 dólares por litro.

Para colocar esse valor em perspectiva, o diesel nos Estados Unidos estava a 3,52 dólares por galão em setembro de 2024 e a 4,633 dólares na mesma semana de setembro de 2023. Ou seja, o preço atual nacional é aproximadamente 78% maior do que há dois anos e 36% mais alto do que há três anos. Na Califórnia, a diferença é ainda mais marcante: os 8,21 dólares atuais estão cerca de 59% acima do preço médio registrado no ano passado.

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E aqui surge um dos problemas que podem acabar se transferindo para a Europa. Os Estados Unidos não são apenas um grande consumidor de diesel, mas também um enorme exportador de produtos refinados. Em 2025, suas exportações de destilados, categoria que inclui principalmente o diesel, ficaram em torno de 1,25 milhão de barris por dia, enquanto em 2024 haviam atingido aproximadamente 1,30 milhão. Em abril de 2026, chegaram a 1,6 milhão de barris por dia, o nível mensal mais alto desde 2017.

Por isso, começa a ganhar importância uma possibilidade que até pouco tempo pareceria extrema: os Estados Unidos limitarem temporariamente as exportações de diesel para tentar aliviar seu próprio mercado. Até o momento não há nenhuma proibição anunciada, nem se pode afirmar que ela vá acontecer. Mas essa possibilidade já entrou no debate político americano: o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, demonstrou-se aberto a estudar uma proibição temporária das exportações diante do forte aumento dos preços.

Se finalmente for adotada uma medida desse tipo, seu efeito teria dois lados. Os Estados Unidos poderiam tentar aumentar a disponibilidade de diesel em seu território, mas ao mesmo tempo retirariam do mercado internacional uma quantidade significativa do produto justamente quando outros grandes exportadores estão enfrentando dificuldades. Não se trata apenas de petróleo: o verdadeiro gargalo está no refino.

Os Estados Unidos veem o preço do diesel subir para 1,9 euros por litro e consideram reduzir as exportações para a Europa

A Rússia é o outro grande elemento dessa equação. Os ataques contra suas instalações petrolíferas afetaram várias de suas principais refinarias. Segundo a Reuters, seis grandes plantas que representam aproximadamente metade da produção russa de diesel sofreram reduções significativas na produção ou interrupções. Como consequência, Moscou restringiu as exportações de gasolina, diesel e combustível para aviação para tentar garantir o abastecimento interno.

A Agência Internacional de Energia forneceu números sobre o problema. Em agosto, as exportações líquidas de diesel e óleo combustível provenientes da Rússia e dos países do Golfo foram 1,6 milhão de barris por dia a menos do que em fevereiro. Naquela época, esses dois blocos representavam juntos cerca de 45% do comércio marítimo mundial desses produtos. A perda desse volume não pode ser compensada da noite para o dia simplesmente aumentando a extração de petróleo, pois é necessária capacidade de refino disponível para transformar esse petróleo bruto nos produtos exigidos pelo mercado.

A Europa é precisamente uma das regiões mais expostas. O continente reduziu enormemente sua dependência direta do diesel russo desde 2022, mas isso não significa que tenha deixado de precisar de importações. A Agência Internacional de Energia estimava que a União Europeia, o Reino Unido e a Noruega importavam juntos cerca de 850.000 barris diários de diesel de fora da região nos dois anos anteriores a meados de 2025. O Oriente Médio tornou-se o principal fornecedor, enquanto os Estados Unidos também aumentaram consideravelmente seus envios.

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O problema é que agora vários desses fornecedores estão enfrentando pressões ao mesmo tempo. A própria Agência Internacional de Energia aponta que as exportações de produtos refinados e gases liquefeitos permanecem quase 60% abaixo dos níveis de fevereiro, enquanto as exportações de diesel e óleo combustível do Golfo, em agosto, representavam apenas um pouco mais de um quarto dos níveis anteriores à guerra. A Europa compete por cada carga adicional de diesel com outros grandes consumidores mundiais.

A dependência europeia do diesel também não é algo isolado. De acordo com a Agência Europeia de Meio Ambiente, o diesel representou em 2023 63,7% da energia consumida no transporte rodoviário europeu, embora essa proporção tenha começado a diminuir. Esse combustível continua tendo uma importância especial no transporte pesado, em máquinas agrícolas, na construção civil e em diversos usos industriais.

A Espanha possui ainda uma particularidade importante: existem diferentes tipos de óleo diesel fiscal, como o óleo diesel B utilizado em determinadas aplicações profissionais e agrícolas. Por isso, não é correto comparar diretamente seu preço com o do diesel para automóveis sem levar em conta os impostos e o uso a que se destina. O preço exato também varia entre postos e províncias, e o Ministério mantém um sistema de atualização contínua dos preços dos combustíveis.

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A questão, portanto, não é apenas se o diesel americano pode subir ainda mais. O que realmente importa é o que acontecerá se os Estados Unidos deixarem de enviar uma parte significativa de seus excedentes para o mercado internacional, ao mesmo tempo em que a Rússia mantém suas exportações restritas e as refinarias do Oriente Médio operam sob pressão.

Há um sinal bastante claro nos mercados. A Agência Internacional de Energia alerta que os suprimentos mundiais de diesel podem permanecer sob tensão durante o inverno devido à combinação de capacidade de refino limitada, problemas geopolíticos e aumento da demanda sazonal. As refinarias americanas estão operando em níveis muito elevados para tentar atender à demanda, mas, mesmo assim, os estoques de derivados nos EUA estão abaixo da média dos últimos anos.

E é aqui que a situação pode se complicar para a Europa. Não é preciso que os Estados Unidos fechem completamente suas exportações para que o mercado europeu sinta o impacto. Basta que uma parte do diesel que normalmente sairia das refinarias americanas fique nos Estados Unidos para atender à sua própria demanda. O restante do mercado terá que buscar esse volume no Oriente Médio, Índia, Turquia, África ou outros produtores, aumentando a concorrência pelos cargas disponíveis.

O mercado já está refletindo parte dessa tensão. Os preços do diesel europeu chegaram a superar até mesmo os do combustível para aviação em determinados momentos de 2026, enquanto as importações europeias de diesel diminuíram desde o início do ano. A Reuters informou em agosto que as importações passaram de 1,97 milhão de barris por dia em janeiro para 1,56 milhão em julho.

Por isso, em vez de falar de um aumento inevitável do diesel na Europa, é mais adequado falar de um risco crescente de novas tensões nos preços. Há muitas variáveis em aberto para se saber até onde o mercado irá: uma recuperação das refinarias russas, uma melhora no tráfego pelo Estreito de Ormuz, um aumento na produção de outras refinarias ou uma flexibilização das restrições às exportações podem mudar rapidamente o cenário.

Mas também pode acontecer o contrário. Se as exportações russas continuarem limitadas, as refinarias do Oriente Médio continuarem enfrentando problemas e os Estados Unidos decidirem reservar mais produto para seu mercado interno, a Europa teria que pagar mais para obter o mesmo diesel. E em uma economia ainda tão dependente desse combustível, esse aumento não ficaria apenas nos postos de gasolina: acabaria afetando o transporte, a agricultura, a indústria e, por fim, o preço de muitos produtos.

A diferença em relação a dois ou três anos atrás é que agora a Europa tem menos margem para recorrer ao fornecedor que, durante décadas, foi sua fonte natural de diesel. A Rússia desapareceu em grande medida desse papel, e os Estados Unidos tornaram-se um dos fornecedores que ajudam a preencher essa lacuna. Se Washington começar a precisar desse mesmo combustível para seu próprio mercado, o problema deixa de ser exclusivamente americano.

E essa é provavelmente a parte mais importante dessa crise: o petróleo pode continuar circulando, mas isso não garante que haja capacidade de refino suficiente para transformá-lo em diesel onde é necessário. Em um mercado tão interconectado, uma decisão tomada nos Estados Unidos pode acabar afetando os preços de um posto de gasolina na Espanha, a milhares de quilômetros de distância.