O combustível está se aproximando dos 3 euros por litro na Europa: assim fica a diferença em relação ao uso de um carro elétrico

Se alguém mostrasse hoje uma foto de um posto de gasolina francês cobrando quase 3 euros por litro, provavelmente haveria quem pensasse tratar-se de uma imagem manipulada. No entanto, o preço é real. Em um posto localizado na rodovia A11, na região de Portes d'Angers Sud, o litro de gasolina SP98 atingiu, na segunda-feira, 14 de maio, o valor de 2,89 euros, enquanto o óleo diesel custa 2,79 euros e a gasolina E10, 2,71 euros.
O valor é especialmente chamativo porque fica a apenas 10,1 cêntimos da barreira psicológica de 3 euros por litro. Para encher um tanque de 50 litros com SP98 seria necessário pagar 144,95 euros, uma quantia que, até pouco tempo atrás, pareceria simplesmente absurda. E é exatamente por isso que algumas fotografias tiradas por motoristas em frente aos postos de combustível geraram comentários nas redes sociais, questionando se eram realmente reais ou haviam sido criadas com inteligência artificial.
Essa não é uma situação exclusiva desta estação. As áreas de serviço das rodovias francesas são conhecidas há anos por seus preços mais altos em comparação com as estações localizadas fora das grandes vias, mas o nível que estão atingindo agora coloca o problema novamente em pauta. Na própria A11, por exemplo, outras estações na região de Parcé-sur-Sarthe também estão se aproximando dos 2,80 euros por litro de diesel.
A rodovia eleva ainda mais o preço do combustível

O motivo pelo qual o preço é tão elevado nessas localizações não é nenhum mistério. As estações localizadas nas rodovias enfrentam custos maiores devido à sua posição e ao funcionamento contínuo, além de terem um público fiel que, em muitos casos, precisa reabastecer antes de continuar a viagem. Isso permite que haja uma diferença significativa em relação às estações de serviço localizadas fora das principais vias.
O petróleo dispara novamente devido à tensão internacional

Por trás dessa nova escalada há um problema muito maior do que o preço de uma estação específica. O petróleo voltou a ultrapassar claramente os 100 dólares por barril, e o Brent chegou a se aproximar dos 110 dólares, em um mercado cada vez mais condicionado pela situação no Oriente Médio.
Um dos principais focos de tensão está na região do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb. Os ataques contra navios e infraestruturas relacionadas ao petróleo estão forçando a modificação de rotas comerciais e elevando os custos do transporte marítimo. Ao mesmo tempo, os problemas em algumas infraestruturas petrolíferas adicionaram ainda mais incerteza ao mercado.

Tudo isso acaba chegando, com certo atraso, às estações de serviço. Quando aumentam o custo do petróleo e dos transportes, o preço por atacado do combustível acaba refletindo isso. O problema para os motoristas é que a queda de preço costuma demorar mais para chegar aos postos do que a alta, especialmente quando o mercado passa por uma situação de tanta incerteza.
A diferença em relação ao carro elétrico já é enorme

Há uma maneira simples de colocar esses números em perspectiva. Tomando como referência um carro elétrico com consumo médio de 16 kWh/100 km e um preço de 0,19 euros por kWh, incluindo impostos (preço médio na França), percorrer 100 quilômetros custa apenas 3,04 euros. Para um motorista que percorre 15.000 quilômetros por ano, o gasto energético seria de aproximadamente 456 euros. Esse valor pode variar dependendo do consumo real, mas serve para se ter uma ideia clara da diferença em relação aos combustíveis fósseis.
A comparação se torna ainda mais marcante ao se considerarem os preços mencionados nesta notícia. Um carro a diesel que consome 5 litros a cada 100 quilômetros precisaria de 14,10 euros para percorrer 100 quilômetros se abastecesse a 2,81 euros por litro. Em 15.000 quilômetros ao ano, a despesa chegaria a cerca de 2.114 euros. No caso de um carro a gasolina com consumo de 6 litros a cada 100 quilômetros e preço de 2,89 euros por litro, o custo subiria para 17,39 euros a cada 100 quilômetros e 2.609 euros por ano.
Isso significa que, com esses preços, o carro elétrico geraria uma economia anual de energia de aproximadamente 1.658 euros em comparação com o diesel e de 2.153 euros em relação à gasolina, considerando sempre apenas o custo da energia e supondo que a recarga seja feita normalmente ao preço de 19 centavos por kWh. A diferença é suficientemente grande para que um aumento pontual do preço do petróleo tenha um impacto muito diferente no bolso de um motorista de carro elétrico.
E aqui está um dos argumentos que ganham força novamente quando o preço do petróleo dispara. Um carro elétrico não está completamente isolado dos preços da energia, mas permite substituir uma parte importante da incerteza associada ao petróleo por um custo de eletricidade muito mais estável, especialmente para quem pode carregá-lo em casa. Além disso, nesse exemplo específico, percorrer 15.000 quilômetros por ano com eletricidade custaria menos de um quarto do que custaria fazê-lo com um carro a gasolina de 6 litros.
A gasolina volta a se tornar um problema social

O aumento do preço dos combustíveis começa também a ter um impacto que vai muito além dos motoristas que fazem viagens longas. Para milhões de pessoas que precisam do carro para se deslocar diariamente ao trabalho, levar as crianças à escola ou simplesmente viver fora dos grandes centros urbanos, o preço da gasolina se torna diretamente um aumento no custo de vida.
E a situação está gerando novamente um fenômeno que lembra inevitavelmente 2018. Nas últimas semanas, começaram a circular nas redes sociais francesas apelos para retomar os coletes amarelos e organizar mobilizações no próximo dia 17 de outubro. A data aparece cada vez com mais frequência em vídeos e mensagens publicadas nas redes sociais.
Para o motorista que não tem alternativa ao carro, as opções imediatas são bastante limitadas. Comparar preços e evitar as estações de rodovia pode economizar uma quantia significativa, mas não resolve o problema de fundo. Já para quem pode dar esse passo, o carro elétrico volta a se destacar mais do que nunca como uma forma de reduzir a exposição às flutuações dos preços do petróleo, especialmente quando se dispõe de um carregador em casa e é possível recarregar com eletricidade a um custo razoável.
A grande questão é até onde chegará essa escalada. Pois ver um posto de gasolina marcando 2,89 euros por litro pode parecer ainda uma exceção, mas há apenas alguns anos isso pareceria diretamente impossível. E se o preço do petróleo continuar acima de 100 dólares, a barreira dos 3 euros pode deixar de ser algo que surpreende nas redes sociais para se tornar o próximo símbolo de uma crise energética que ainda não parece ter teto.