Carregar o elétrico em casa vai ficar mais caro a partir de outubro

A guerra entre os EUA e o Irão não está a encarecer apenas os combustíveis fósseis. Carregar um elétrico em casa também vai ficar mais caro.
A partir de 1 de outubro, a tarifa de Energia do mercado regulado vai aumentar 0,005 euros por kWh, anunciou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Para os clientes domésticos que ainda estão neste mercado, a atualização representa um aumento médio de 2,7% na fatura mensal da eletricidade.
Assim, se carregar o seu automóvel em casa e estiver abrangido pela tarifa regulada, prepare-se, pois vai sentir este aumento. Porém, o impacto concreto, depende da quantidade de energia consumida.
Quanto poderá custar?
Considerando que um automóvel elétrico percorre cerca de 1000 km por mês, e se tivermos em conta um consumo de cerca de 18 kWh/100 km, a subida de 0,005 euros por kWh, representa, por si só, um acréscimo de cerca de 90 cêntimos por mês.

Contudo, é preciso ter atenção que a tarifa de Energia é apenas uma das componentes da fatura da eletricidade, pelo que o impacto final depende da tarifa contratada e das restantes parcelas da fatura.
Além disso, a atualização aplica-se aos consumidores do mercado regulado e os clientes no mercado livre não são obrigados a replicá-la. A própria ERSE deixa esse ponto claro: “o mercado livre não é obrigado a acompanhar esta atualização”.
Em junho de 2026, existiam cerca de 779 mil clientes no mercado regulado de eletricidade, o equivalente a aproximadamente 4,6% do consumo total de eletricidade.
Para quem está no mercado livre, o impacto dependerá do contrato e das condições praticadas pelo respetivo comercializador.
O que está em causa?
A atualização agora anunciada resulta da revisão trimestral dos preços de energia no mercado regulado. Esta revisão tem em conta, entre outros fatores, os custos de aquisição de energia do CUR (Comercializador de Último Recurso).
Segundo o regulador, a previsão para este ano apontava para um determinado custo de aquisição, mas a evolução dos preços no mercado grossista acabou por provocar um desvio de 0,0176 euros/kWh. Uma vez que esse desvio ultrapassou o limite definido no mecanismo de atualização, a ERSE determinou o novo aumento.
O regulador explica que este desvio resulta sobretudo da subida dos preços no mercado grossista ao longo de 2026. Entre os causas apontadas para esta subida está a evolução dos preços do gás natural, que, por sua vez, influencia o preço da eletricidade.
“A magnitude desta subida era de difícil previsão aquando da definição das tarifas para 2026, uma vez que se deve em grande parte aos efeitos da guerra entre o Irão e os Estados Unidos, que fez aumentar o preço do gás natural e, consequentemente, o da energia elétrica”, pode ler-se no comunicado.
Para os clientes do mercado regulado, a atualização do próximo mês faz com que a variação média do preço da eletricidade em 2026 passe a ser de 1,7%. No final do ano passado, a ERSE tinha anunciado uma previsão de aumento anual de 1%.
Não obstante, carregar um automóvel elétrico continua a ser mais barato do que abastecer um automóvel a combustão. Segundo dados da UVE, calculados com base nos valores finais de agosto, o custo médio para abastecer um carro a gasolina para 100 km é de 11,19 euros, enquanto para abastecer um carro a gasóleo é 10,63 euros.
Já no caso dos automóveis elétricos, num cenário típico de carregamento (75% em casa com tarifa bi-horário (vazio) e 25% carregamento na rede pública) o total por 100 km fica 3,74 euros, podendo chegar aos 8,57 euros por 100 km se o abastecimento for sempre feito na rede pública. Pode saber mais sobre como são feitas estas previsões aqui.