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Tecnologia

Baterias de carros elétricos: a Europa impõe uma nova regra para 2027, mas obstáculos persistem

Baterias de carros elétricos: a Europa impõe uma nova regra para 2027, mas obstáculos persistem

A partir de fevereiro de 2027, as baterias dos carros elétricos comercializados na União Europeia deverão ter um passaporte digital. É uma medida destinada a melhorar sua rastreabilidade e transparência. Mas, a poucos meses do prazo, os fabricantes de automóveis ainda enfrentam várias dificuldades para se adaptar a essa nova regulamentação.

A União Europeia quer esclarecer completamente as questões relacionadas às baterias dos carros elétricos. Com o passaporte digital, Bruxelas pretende possibilitar um conhecimento mais aprofundado sobre sua composição, origem e condição de funcionamento. Em teoria, a ideia parece bastante boa. Na prática, sua implementação se mostra mais complicada do que o previsto.

O passaporte da bateria, um verdadeiro quebra-cabeça

A partir de 18 de fevereiro de 2027, cada nova bateria para carro elétrico lançada no mercado europeu deverá ter seu próprio passaporte digital, acessível por meio de um código QR. Esse documento reunirá diversas informações, com diferentes níveis de acesso conforme os usuários. Os fabricantes sabem, em geral, o que precisam informar. Algumas dados são relativamente fáceis de obter: o nome do fabricante, a composição química, a capacidade nominal ou ainda a data de produção.

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A situação se complica ainda mais quando é preciso acompanhar a evolução da bateria ao longo de sua vida útil. Questionado pelo Automotive News Europe, Felix Wagner, diretor da Circunomics, destaca especialmente as dificuldades relacionadas ao estado de saúde das baterias, o famoso SoH (State of Health). Como garantir que dois fabricantes utilizem um método de cálculo comparável? Sem harmonização, os resultados podem variar de uma marca para outra, o que limitaria bastante a utilidade do dispositivo.

Os chineses têm vantagem?

Há outra dificuldade no que diz respeito à coleta de informações ao longo da cadeia de suprimentos. Entre a extração das matérias-primas, sua transformação, a fabricação das células e a montagem final, há muitos envolvidos. Nenhum fabricante dispõe sozinho de todos os dados necessários.

Christian Marston, diretor de operações da Altilium, especialista em reciclagem, acredita que é exatamente nesse nível que as empresas enfrentam as maiores dificuldades. Portanto, é necessário fortalecer a troca de informações entre fornecedores, que às vezes estão do outro lado do mundo. Nesse contexto, alguns fabricantes chineses podem sair na frente. Segundo Felix Wagner, grupos como a BYD já desenvolveram uma abordagem mais avançada para a coleta e o processamento de dados automotivos. Uma vantagem que pode facilitar sua adaptação às novas exigências europeias.

O prazo está se aproximando rapidamente. A Comissão Europeia publicou recomendações para auxiliar os setores industriais, mas várias questões técnicas ainda permanecem sem resposta. Além disso, nem todas as informações serão exigidas já em fevereiro de 2027, especialmente aquelas relacionadas à pegada de carbono e aos materiais reciclados. Resta saber se os fabricantes conseguirão tornar seus sistemas compatíveis a tempo.