ANIE sobre energias renováveis: ou a Itália muda de rumo ou adeus ao objetivo de 2030

ANIE reativa o alerta sobre as fontes renováveis: o mercado italiano tenta se recuperar no segundo trimestre de 2026, mas essa recuperação não é suficiente para falar de uma verdadeira aceleração. Após seis meses de contração, as FER crescem 14% em termos anuais, impulsionadas principalmente pela energia fotovoltaica (+18%). Nos primeiros seis meses do ano, foram instalados 2.918 MW de nova capacidade, aos quais se somam cerca de 550 MW de repotencialização. No entanto, para atingir a meta estabelecida para 2026, serão necessários mais 3,3 GW até dezembro.
Fontes renováveis em recorde: 814 GW instalados em solar e eólico em 2025
A energia fotovoltaica sustenta o crescimento das FER
O “tesouro” acumulado desde 2021 corre o risco de desaparecer
O dado mais interessante surge, no entanto, da comparação com a trajetória de compartilhamento da carga. No final de 2025, a Itália contava com um saldo positivo de aproximadamente 1,6 GW em relação aos objetivos, acumulado graças às instalações realizadas nos anos anteriores.
Com 2.918 MW de novas instalações e cerca de 550 MW de repotencialização no primeiro semestre de 2026, o progresso geral em relação à trajetória atinge cerca de 5 GW. O objetivo anual para 2026, porém, está fixado em 8,3 GW.

Para cumpri-lo, será necessário adicionar mais 3,3 GW na segunda metade do ano, um ritmo essencialmente semelhante ao dos primeiros seis meses. O objetivo não está fora de alcance, mas a margem acumulada nos anos anteriores seria, na prática, consumida.
Objetivos ainda mais rigorosos após 2026
Este é o ponto que merece maior atenção. Alcançar a meta de 2026 não significaria ter resolvido o problema da velocidade das instalações.
A trajetória prevê, de fato, 10 GW em 2027, 11 GW em 2028, 13 GW em 2029 e 15 GW em 2030. A margem de segurança acumulada até agora corre o risco de ser utilizada para compensar um crescimento que ainda não atingiu o ritmo necessário.
O cenário parece ainda mais desafiador quando se olha para o objetivo final: dos atuais cerca de 86 GW de capacidade renovável instalada, será necessário chegar a 131 GW em 2030. Isso significa adicionar aproximadamente 44 GW em pouco mais de quatro anos.

O gargalo? Autorizações e conexões
A questão não diz respeito apenas à disponibilidade de capital ou à capacidade industrial. A ANIE Rinnovabili identifica nos processos de autorização um dos principais obstáculos aos investimentos, juntamente com a incerteza normativa e regulatória.
O presidente Andrea Cristini solicita especialmente que sejam liberados os pareceres de avaliação de impacto ambiental relacionados a 13 GW de projetos atualmente em análise pela Presidência do Conselho.
Também estão em discussão a reforma anunciada no mecanismo de atribuição da capacidade de conexão e a finalização da definição das áreas adequadas, um processo que já dura há anos.

As grandes usinas e a geração distribuída cada vez mais distantes
A composição do crescimento também revela um sistema com velocidades diferentes. No setor fotovoltaico, o segmento residencial continua a desacelerar, com uma queda de 20% nos últimos doze meses. Já o segmento Commercial & Industrial cresceu 8% no mesmo período.
O cenário dos grandes complexos é mais diversificado: o segmento Utility Scale recuou 12% em comparação com o primeiro trimestre, enquanto o Large Utility Scale registrou um aumento de 197% no curto prazo e de 12% nos doze meses, também devido às grandes interrupções nos projetos de grande porte.
A distribuição geográfica confirma essa polarização. Puglia, Sicília e Lácio se beneficiam principalmente dos grandes complexos fotovoltaicos e eólicos, enquanto Lombardia e Vêneto mantêm uma forte presença de instalações fotovoltaicas de pequeno e médio porte.
Para a Itália, o objetivo não é apenas atingir a meta prevista para 2026. O verdadeiro desafio é construir uma capacidade regulatória, industrial e de rede que permita aumentar de forma estável o ritmo das instalações, sem precisar recorrer a cada ano ao saldo acumulado anteriormente.
LEIA TAMBÉM: Armaroli: «Sobre energia nuclear, mais anúncios do que projetos: renováveis e armazenamento têm prioridade» e assista ao VÍDEO
Artigo Anterior
Inicia-se (22 de setembro) o bônus para postos de carregamento: 80% de subsídio integral
Artigo Seguinte
Redes elétricas: a UE pode economizar 10,6 bilhões com carregamento inteligente