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500 milhões de dólares para ônibus elétricos em São Paulo

500 milhões de dólares para ônibus elétricos em São Paulo

São Paulo obteve dois empréstimos internacionais no total de 496,6 milhões de dólares para eletrificar sua frota de ônibus públicos. Os recursos poderão financiar a aquisição de mais de 1.100 ônibus elétricos.

A metrópole brasileira formalizou dois acordos de empréstimo no valor de 248,3 milhões de dólares cada com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – ambos fazem parte do Grupo Banco Mundial. Juntos, eles fornecerão 496,6 milhões de dólares para eletrificar e modernizar ainda mais o transporte público por ônibus. O Mobility Portal foi o primeiro a noticiar a conclusão de ambos os acordos de financiamento.

É importante distinguir entre financiamento e aquisição concreta de veículos: a prefeitura estima que os dois programas juntos possam financiar a eletrificação de mais de 1.100 ônibus. No entanto, isso não significa que já tenha sido feito um pedido para 1.100 veículos. Os empréstimos ajudarão a financiar tanto os ônibus quanto medidas adicionais relacionadas à operação de ônibus elétricos.

Financiamento para 582 ônibus elétricos

O uso do empréstimo do BID é definido de forma mais específica. Ele inclui, entre outras coisas, apoio financeiro para a aquisição de cerca de 582 ônibus elétricos. Fundos adicionais são destinados a aplicações digitais, estudos técnicos e ao planejamento e monitoramento do transporte público. A liberação dos recursos ocorrerá ao longo de cinco anos, em cinco parcelas, e será baseada em resultados, focando em metas como o número de ônibus elétricos efetivamente implantados e a utilização de novas plataformas digitais. Antes da primeira liberação, a cidade também deve apresentar um plano de ação para otimizar sua infraestrutura de carregamento.

O empréstimo do Banco Mundial soma, por sua vez, 248,3 milhões de dólares, dos quais 243,05 milhões serão destinados à descarbonização e modernização da frota de ônibus. Os recursos serão usados, entre outras coisas, para compensar alguns dos custos mais altos de aquisição de veículos elétricos em comparação com ônibus a diesel. Dinheiro adicional será destinado ao gerenciamento do tráfego e à implementação de medidas para um transporte local mais sustentável.

Diferentemente do empréstimo do BID, os recursos do Banco Mundial não especificam um número concreto de ônibus elétricos a serem financiados. O valor citado pela prefeitura – de mais de 1.100 veículos – deve, portanto, ser interpretado como uma estimativa da capacidade de financiamento combinada dos dois programas.

São Paulo vive expansão rápida da frota de ônibus elétricos

O novo financiamento chega justamente no momento em que a transição da frota da cidade está acelerando rapidamente. Somente em junho, São Paulo colocou em operação 500 ônibus elétricos a bateria – elevando sua frota elétrica para 1.759 veículos, incluindo 1.570 ônibus elétricos a bateria e 189 trólebus. Por outro lado, segundo o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), apenas cerca de 460 ônibus elétricos estavam em operação no início de 2025.

Com 1.759 veículos elétricos, São Paulo já possui a maior frota de ônibus elétricos do Brasil, embora ainda esteja atrás de Santiago do Chile na América do Sul. Em fevereiro de 2026, já havia 4.222 ônibus elétricos em operação na cidade. Mais da metade dos 500 ônibus elétricos mais recentemente adquiridos é da BYD. A fabricante chinesa entregou 265 veículos, o que significa que agora tem quase 550 ônibus elétricos em São Paulo. A BYD produz os chassi de seus ônibus elétricos em Campinas, no Brasil, e os sistemas de bateria em Manaus.

Em paralelo ao aumento da frota, São Paulo anunciou que não vai mais adquirir ônibus que funcionem exclusivamente a diesel. Como parte de seu programa para os anos de 2025 a 2028, a cidade pretende substituir um total de 2.200 ônibus a diesel por veículos movidos por sistemas de propulsão mais limpos.

Isso transfere cada vez mais o desafio da aquisição individual de veículos para o financiamento e infraestrutura necessários para uma transição em larga escala de frotas. Em particular, o plano de ação para infraestrutura de carregamento exigido pelo programa do BID mostra que as conexões à rede elétrica, a capacidade de carregamento e as operações dos depósitos também precisam ser ampliadas correspondentemente.

Segundo autoridades municipais, espera‑se que os 1.759 ônibus elétricos já em operação economizem cerca de 57 milhões de litros de diesel por ano e reduzam as emissões de CO2 em aproximadamente 130.000 toneladas. Esses números são fornecidos pela prefeitura e ainda não foram verificados de forma independente.