Testei o Dacia Spring. Vale a pena esperar pelo novo?

A primeira geração do Dacia Spring está prestes a reformar-se, mas queríamos descobrir se ainda é uma opção a ter em conta para quem não quer esperar pela próxima.
Dacia Spring extreme electric 100
6.5/10
Simples e barato, o Dacia Spring traz à memória os utilitários de outros tempos e esse é o melhor elogio que lhe posso fazer.
Prós
Preço (versão base)
Consumos
Agilidade
Bagageira
Contras
Preço (versão ensaiada)
Isolamento acústico
Materiais interiores
Largura do habitáculo
O Dacia Spring está prestes a deixar de ser o Spring que conhecemos. A marca romena já apresentou a segunda geração do seu elétrico e, como o Guilherme Costa nos explicou, melhorou em todos os sentidos.
Está maior, tem um visual mais moderno e traz com ele novos argumentos tecnológicos e algumas dezenas de quilómetros adicionais de autonomia. Deverá chegar ainda antes do ano acabar, mas será que vale a pena esperar?
Passei uma semana com o Spring atual para descobrir se ainda tem argumentos que nos levem a optar por esta geração. Afinal, continua a ser o elétrico mais barato do mercado — arranca nos 16 900 euros —, mas há mais argumentos para lá do preço-canhão.


Envelheceu bem
O Spring nunca tentou esconder aquilo que é. É um pequeno elétrico pensado para a cidade, com uma carroçaria elevada, dimensões compactas e uma abordagem muito mais funcional do que emocional.
O desenho tem uma certa honestidade — não tenta ser algo mais daquilo que não é —, mas ficou bem mais apelativo com a atualização de 2024. Admito, no entanto, que acho o desenho do sucessor muito mais interessante.
O Spring atual é um carro pequeno por fora e isso nota-se quando interessa: estacionar é fácil, a visibilidade é boa e a carroçaria não exige grandes cuidados quando temos de nos espremer por uma rua mais apertada.



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Simples e intuitivo
No interior é onde o Spring revela mais claramente a idade do projeto. Dito isso, tal como o exterior, também o habitáculo melhorou bastante com a atualização de 2024.
O desenho do tabliê é mais moderno, há um painel de instrumentos digital de 7″ e um ecrã central de 10″ para o sistema de infoentretenimento. Há também vários espaços de arrumação e comandos físicos que tornam particularmente fácil utilizá-lo no dia a dia.



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Mas não há milagres. Os materiais são maioritariamente duros e a sensação de qualidade está longe daquilo que encontramos, por exemplo, num Renault Twingo ou… no novo Dacia Spring. A montagem, contudo, cumpre como comprova a escassez de ruídos parasita, mesmo nas ruas mais esburacadas das nossas cidades.
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Pequeno por fora e por dentro
Sendo um dos modelos mais pequenos do mercado, não seria de esperar que o Spring fosse o rei da habitabilidade. E não é. Os quatro lugares são utilizáveis, mas os traseiros acabam por ser mais indicados para crianças ou adultos de pequena estatura.
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Já a bagageira, com 288 litros, é surpreendentemente generosa para um carro desta dimensão e até é maior que a do seu sucessor.
A posição de condução também não é problemática e, depois de alguns quilómetros, deixamos de pensar naquilo que mais nos recorda da antiguidade do projeto: a escassa largura do habitáculo.
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Um citadino sem medo da autoestrada
Este ano o Spring ganhou um argumento novo: potência. A introdução da variante de 100 cv mudou completamente a relação deste pequeno Dacia com a estrada.
Com pouco mais de uma tonelada, tornou o Spring mais ágil em cidade e, sobretudo, deu-lhe uma margem de segurança que as versões anteriores não tinham.
Face ao Spring original, são mais 55 cv e até é mais potente que o novo Spring, que não vai além dos 82 cv. A potência extra dá-nos um à vontade adicional a entrar numa via rápida ou até numa ultrapassagem.
Calma, o Spring não se tornou, de um momento para o outro, o «senhor da autobahn», mas durante a semana que o conduzi, enfrentei sem receios a estrada aberta e a autoestrada e raramente senti que estava fora do seu habitat.
Curva melhor, mas não muito
Além da potência adicional, o Spring recebeu ainda melhorias no campo da dinâmica. Ganhou uma barra estabilizadora e novos acertos para as molas e amortecedores, o que reduziu as inclinações da carroçaria e tornou o comportamento mais previsível.
Com pneus estreitos e suspensão alta, o Spring continua a não ser o melhor para procurar estradas de montanha, mas está bem melhor quando sai da cidade. A direção é leve, a carroçaria movimenta-se menos e a sensação geral é de maior controlo.
O conforto a bordo também é razoável. A suspensão consegue lidar bem com muitas irregularidades e, em cidade, a combinação entre dimensões reduzidas, motor elétrico e suspensão relativamente macia resulta num carro fácil e até divertido de conduzir. Dei por mim a serpentear entre o trânsito como há muito não fazia.
Vai mais longe do que parece
Por fim, não posso deixar de elogiar um dos pontos fortes do Spring: a eficiência. À primeira vista a pequena bateria de 24,3 kWh não impressiona, mas os números da ficha técnica não contam a história toda.
Com um consumo anunciado de 12,4 kWh/100 km — que consegui baixar sem grande dificuldade para valores em torno dos 10 kWh/100 km —, o pequeno Dacia Spring não deve ter dificuldade em atingir os 225 km de autonomia oficial.
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O que nos permite alargar o horizonte bem para lá das cidades para onde foi pensado, especialmente quando selecionamos o modo “Eco”. Ao contrário do que esperava, não compromete em excesso as prestações.
Ao longo de uma semana usei-o como o meu único veículo e rapidamente perdi a ansiedade de autonomia. Acabei por ir com o Spring a todo o lado, incluindo em viagens mais longas.
E a reduzida capacidade da bateria acabou por se tornar um ponto forte do citadino, já que consegui carregamentos rápidos sem necessitar de potências absurdas.
Mais barato não há
E chegamos ao principal argumento do Dacia Spring: o preço. Por 16 900 euros trazemos para casa um citadino elétrico e, por mais que a concorrência tenha evoluído, continua a não existir um modelo elétrico tão barato. Aliás, até a combustão não há muitos.
Mas esse é o valor da versão base. A versão electric 100 extreme que testei é mais cara, fixando-se nos 19 707 euros. Com os opcionais que a unidade ensaiada tinha, sobe para os 22 414 euros. Um valor que se torna difícil de justificar face aos rivais mais recentes e modernos e, sobretudo, face ao seu iminente sucessor.
Por um valor semelhante já se encontra disponível o Renault Twingo E-Tech, provavelmente o rival mais interessante e colorido do momento, com preços a começar nos 19 490 euros. Tem 82 cv, bateria de 27,5 kWh e até 264 km de autonomia (ciclo combinado WLTP). É, objetivamente, um automóvel mais moderno e completo. E é também a base do próximo Spring.
Se não quer esperar pela nova geração, o único Dacia Spring atual que continua a fazer sentido é a versão base. Tem 70 cv e perde em prestações, mas para quem procura um elétrico pequeno, simples e barato continua a ser uma opção a considerar.
É fácil de conduzir, gasta pouco e tem espaço honesto. No fundo, parece um utilitário saído dos anos 90 e a verdade é que ainda há quem procure exatamente isso.
Veredito
Dacia Spring extreme electric 100
6.5/10
A próxima geração do Dacia Spring promete ser melhor em praticamente tudo, mas o atual ainda é uma opção a considerar. Para quem procura um pequeno elétrico prático, honesto e barato, não precisa mais do que o Spring. Mas só mesmo na versão base, porque os quase 20 mil euros pedidos por esta versão de 100 cv são difíceis de justificar.
Prós
Preço (versão base)
Consumos
Agilidade
Bagageira
Contras
Preço (versão ensaiada)
Isolamento acústico
Materiais interiores
Largura do habitáculo
Especificações técnicas
Versão base:19.707€
Classificação Euro NCAP:
1/5
22.414€
Preço unidade ensaiada
Arquitectura:Motor elétrico síncrono
Posição:Dianteira transversal
Carregamento: Bateria LFP de 24,3 kWh
Potência:
75 kW (100 cv)
Binário:
137 Nm
Tracção: Dianteira
Caixa de velocidades: Relação única
Comprimento: 3701 mm
Largura: 1767 mm
Altura: 1489 mm
Distância entre os eixos: 2423 mm
Bagageira: 288-975 litros
Jantes / Pneus: 165/65 R15
Peso: 1084 kg
Média de consumo: 12,4 kWh/100 km; Autonomia: 225 km
Emissões CO2: 0 g/km
Velocidade máxima: 130 km/h
Aceleração máxima: >9,6s
Tem:
Vidros escurecidos
Retrovisores em castanho cobre
Deteção de fadiga e atenção do condutor
Assistência à travagem de urgência
Trancamento automático das portas em andamento
Sistema de fixação ISOFIX nos lugares traseiros
Sistema de ajuda ao arranque em subida
Cruise control e limitador de velocidade
Sistema de travagem de emergência ativa
Sistema de controlo de pressão dos pneus
Alerta de esquecimento dos cintos de segurança
Reconhecimento de sinais de trânsito com alerta de velocidade
Computador de bordo
Modo ECO
Câmera traseira
Sensor de luz
Retrovisores exteriores com regulação elétrica
Ar condicionado
2 portas USB
Pack City (inclui: Media Nav Live (ecrã de 10,1″, navegação com trânsito em tempo real, serviços ligados, 2 portas USB-C) e radares dianteiro e traseiro) — 400 €
Pack Power (inclui: carregador carga rápida CC 40 kW
carregador bidirecional V2L) — 2314 €.