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Regulativa

Primeiro teste ao Peugeot E-208 GTi (281 cv). Rei do segmento?

Primeiro teste ao Peugeot E-208 GTi (281 cv). Rei do segmento?

Mais de 40 anos depois do 205 GTi, a Peugeot recupera uma das siglas mais desejadas da sua história. Desta vez, sem motor a gasolina.

Peugeot e-208 GTi

Primeiras impressões

8.5/10

Data de comercialização: Setembro 2026

O Peugeot E-208 GTi tem 281 cv e é o mais rápido da classe, mas não é isso que mais impressiona.

Prós

Dinâmica

Direção

Estilo

Contras

Preço

Consumos

Instrumentação acusa idade

A sigla GTi está de volta à Peugeot, mais de 40 anos depois da estreia, com o saudoso 205 GTi. Este regresso faz-se em modo 100% elétrico, com o E-208 GTi, e com um arsenal técnico que já conhecemos de outras propostas da Stellantis, como o Abarth 600e ou o Opel Corsa GSE.

Mas basta olhar para o histórico da Peugeot Sport para perceber que a divisão desportiva da marca de Sochaux sabe tudo o que é preciso sobre pequenos desportivos de tração dianteira. E isso acrescenta responsabilidade a este E-208 GTi, que inaugura uma nova era desta sigla icónica.

No papel, o E-208 GTi preenche todas as «balizas» que um pocket rocket deve preencher. Mas só havia uma maneira de perceber se está altura das três letras mágicas que carrega: conduzi-lo numa estrada revirada de montanha- E foi precisamente isso que fizemos, na Escócia:

O Peugeot E-208 GTi é o elemento mais recente de uma nova geração de pequenos desportivos elétricos, onde encontramos nomes como o Alpine A290, Volkswagen ID. Polo GTI, CUPRA Raval VZ, Opel Corsa GSE, Abarth 600e, Alfa Romeo Junior Veloce e MINI JCW elétrico.

Todos têm tido dificuldade em impor-se no mercado nacional (e europeu) e parece cada vez mais óbvio que não há assim tanta gente disposta a pagar mais de 40 mil euros por um pocket rocket 100% elétrico.

Peugeot E-208 GTi vs 205 GTi

Contudo, mesmo chegando atrasada a este «jogo», a Peugeot quer mudar este indicador e tem como objetivo colocar o 208 GTi no topo da tabela de vendas destes desportivos.

Herança GTi

Basta olhar para o E-208 GTi para perceber que estamos perante algo muito diferente do 208 convencional. A Peugeot Sport recuperou várias referências históricas do lendário 205 GTi, mas conseguiu fazê-lo sem transformar este pequeno elétrico num exercício de nostalgia excessivo.

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As jantes perfuradas de 18” e os vários detalhes em vermelho espalhados pela carroçaria são bons exemplos disso. Ainda assim, aquilo que mais denuncia a versão GTi é a postura, muito mais plantada e agressiva.

Peugeot E-208 GTi frente

Para isso contribuem as vias alargadas em 56 mm à frente e 28 mm atrás, além naturalmente da suspensão, que foi rebaixada em 25 mm.

Interior já acusa a idade

No habitáculo, os tapetes e os cintos de segurança vermelho fazem uma ligação direta ao «pai» dos GTi da Peugeot. Os bancos de corte desportivo, inspirados no 205 GTi original, são outro dos grandes argumentos deste interior.

Também gostei da posição de condução e do volante compacto, revestido a Alcantara. São coisas que se sentem antes de começarmos a explorar o carro e que, num GTi, importam tanto como os números da ficha técnica.

Mas há aqui um problema que não podemos ignorar: esta geração do 208 já foi apresentada em 2019, apesar da atualização de 2023. E isso começa a notar-se.

Além do mais, para o próximo ano está prevista uma geração completamente nova do 208, que vai revolucionar o modelo em toda a sua linha, a começar precisamente pelo interior. Isso faz-nos questionar o timing deste GTi, que poderá ficar rapidamente desatualizado.

A instrumentação, por exemplo, merecia uma apresentação mais interessante. Há grafismos próprios e menus específicos para esta versão, mas o resultado fica aquém daquilo que encontramos no Alpine A290 e no MINI JCW elétrico.

Peugeot E-208 GTi interior
Peugeot E-208 GTi bancos
Peugeot E-208 GTi instrumentação

5 imagens

O mesmo acontece com o sistema multimédia. Temos Apple CarPlay sem fios e todas as funcionalidades de que precisamos, mas o aspeto geral já parece algo antiquado.

Por outro lado, há uma boa notícia para quem procura um pequeno desportivo que possa ser usado diariamente. As cinco portas mantêm a versatilidade do 208 e o espaço traseiro é razoável.

Não é uma referência no segmento, mas permite sentar dois adultos de estatura média, algo que o Alpine A290, por exemplo, tem mais dificuldade em fazer. A bagageira mantém os 309 litros de capacidade.

Descubra o seu próximo carro:

Toque especial da Peugeot Sport

É aqui que o E-208 GTi ganha verdadeiramente outra dimensão. O motor elétrico M4+ da Stellantis entrega 281 cv e 345 Nm de binário, suficientes para cumprir os 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos.

A recuperação dos 80 aos 120 km/h demora apenas 3,2 segundos e a velocidade máxima está limitada a 180 km/h. Estes números fazem do E-208 GTi o mais rápido da sua classe, mas foi à saída das curvas que mais me surpreendeu.

Peugeot E-208 GTi frente

Mesmo com chuva e o piso molhado, o Peugeot mostrou uma capacidade de aproveitar a potência que inspira muita confiança. O diferencial autoblocante mecânico ajuda a explicar essa motricidade, mas o trabalho da Peugeot Sport foi bastante mais longe.

A carroçaria está 25 mm mais baixa, as vias cresceram 56 mm à frente e 28 mm atrás e a suspensão recebeu molas específicas e amortecedores com batentes hidráulicos. Foi ainda acrescentada uma barra estabilizadora traseira de 31 mm de diâmetro, mantendo-se a dianteira de 17 mm. É uma transformação que se sente desde os primeiros quilómetros.

A Peugeot conseguiu uma afinação muito convincente para os 1535 kg do conjunto e deu-nos um carro que apetece conduzir numa estrada de curvas. O motor tem força, a direção acompanha e os travões mostraram-se capazes durante este contacto. À frente temos discos de 355 mm com pinças fixas de quatro pistões, enquanto atrás os discos medem 268 mm.

Gostei da posição de condução, dos bancos e da direção logo nos primeiros metros. São elementos que, num carro destes, ajudam a criar a ligação entre condutor e máquina antes mesmo de começarmos a explorar os 281 cv.

E depois há o som. O E-208 GTi tem um som criado para o interior que pretende reforçar a experiência de condução. A ideia é interessante, mas ao fim de algum tempo pode tornar-se cansativo, sobretudo quando queremos simplesmente viajar de forma tranquila. Felizmente, podemos desligá-lo.

Gostava de ter mais autonomia

É precisamente aqui que aparece uma das principais limitações deste GTi. A Peugeot anuncia 352 km de autonomia (ciclo combinado WLTP) com os Michelin Pilot Sport 4S de série, na medida 215/40 R18. Este número aumenta para os 375 km com os pneus Hankook Ventus S1 Evo3.

A escolha entre os dois é gratuita e a bateria é sempre a mesma: trata-se de uma unidade da CATL com 54 kWh de capacidade (51 kWh úteis), que recebeu uma calibração específica para suportar uma utilização mais exigente.

De acordo com a Peugeot, o sistema de arrefecimento da bateria foi pensado e desenvolvido para garantir prestações convincentes mesmo em condução desportiva prolongada, evitando assim as limitações de potência que surgem quando a bateria sobreaquece.

Mas o problema de autonomia do e-208 GTi não está apenas na capacidade da bateria, mas sobretudo na eficiência do conjunto. Durante este primeiro contacto, os consumos rondaram os 17 e os 22 kWh/100 km, chegando a ultrapassar estes valores quando aumentámos o ritmo.

Conduzi quase sempre em modo Sport, aproveitando as estradas secundárias da Escócia, pelo que este não foi, naturalmente, um teste de eficiência em utilização tranquila. Mas aquilo que fiz é precisamente o que quem compra este tipo de modelos gosta de fazer.

Olhando a esses números, a autonomia teórica situa-se entre aproximadamente 230 e 300 km. Não é uma distância que tenha percorrido até esgotar a bateria, mas uma estimativa baseada nos consumos registados.

Não me surpreende que o consumo suba quando exploramos um carro destes. Ainda assim, gostava de ter um pouco mais de autonomia para poder usá-lo com menos restrições. É certo que o custo da energia pode ser bastante baixo para quem carrega em casa, mas isso não resolve a necessidade de parar mais vezes numa viagem.

E já que falo em carregamentos, importa recordar que o E-208 GTi admite até 100 kW em corrente contínua, com a Peugeot a anunciar 27 minutos para passar de 20% a 80%. Em corrente alternada, o máximo é de 11 kW, sendo necessárias 2h55 para recuperar os mesmos 60% de carga.

A base do E-208 já tem alguns anos e isso ajuda a compreender algumas das limitações que encontramos ao nível da eficiência e dos carregamentos. A Peugeot Sport aproveitou-a muito bem para fazer um desportivo, mas não conseguiu resolver tudo.

Mais de 40 mil euros por um pequeno elétrico

O Peugeot E-208 GTi tem um preço anunciado de 44 900 euros em Portugal, embora a campanha de lançamento para particulares baixe esse valor para 42 553 euros. As primeiras unidades estão previstas para chegar ao nosso mercado no início de 2027.

É um preço que coloca o E-208 GTi numa zona complicada. O Alpine A290 começa nos 39 000 euros, embora esse valor corresponda à versão GT de 180 cv, bastante menos potente do que o Peugeot. Ainda assim, continuo a achar estes pequenos desportivos caros. E não é uma crítica exclusiva ao E-208 GTi.

Quem se lembra dos preços de alguns dos seus antecessores a combustão, mesmo dos mais recentes, terá dificuldade em não fazer essa comparação. É também uma das razões pelas quais estes pequenos desportivos elétricos continuam a ter dificuldade em conquistar um público mais vasto.

Por outro lado, quem carregar habitualmente em casa terá custos de utilização bastante interessantes e o E-208 GTi mantém toda a praticidade de um 208 de cinco portas.

É preciso, portanto, olhar para este carro como aquilo que realmente é: um pequeno desportivo elétrico, desenvolvido para proporcionar sensações de condução, e não simplesmente como mais um 208.

É a escolha certa para mim?

Quem procura um pequeno desportivo elétrico para desfrutar da condução deve experimentar este Peugeot. Gostei muito do trabalho feito no chassis, da confiança que transmite e do carácter que a Peugeot Sport lhe conseguiu dar.

A autonomia, o preço e a instrumentação impedem uma avaliação mais alta, mas os 8,5 em 10 mostram o quanto este primeiro contacto me convenceu. Para mim, está entre os melhores pocket rockets elétricos do momento.

Este primeiro contacto por terras de Sua Majestade deu para perceber que o Peugeot é um claro candidato a esse trono, mas para lhe entregar a coroa, teria de o colocar frente a frente com o Alpine e o MINI. O que garanto é que depois de o conduzir, é impossível deixá-lo de fora dessa luta.

Veredito

Peugeot e-208 GTi

Primeiras impressões

8.5/10

O Peugeot E-208 GTi surpreendeu-me pela forma como combina desempenho, agilidade e facilidade de utilização. A Peugeot Sport fez um trabalho muito convincente no chassis e criou um carro que apetece conduzir. A autonomia, o preço e um interior que já denuncia a idade do 208 são os principais pontos fracos. Ainda assim, depois de mais de 200 quilómetros ao volante, ficou uma certeza: o E-208 GTi é um dos pequenos desportivos elétricos mais interessantes que já conduzi.

Data de comercialização: Setembro 2026

Prós

Dinâmica

Direção

Estilo

Contras

Preço

Consumos

Instrumentação acusa idade