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País do petróleo cria marca de carros elétricos

País do petróleo cria marca de carros elétricos

A Arábia Saudita é conhecida pelo petróleo, mas a sua primeira marca de automóveis, a Ceer, estreia-se com uma aposta total nos elétricos.

É um sinal dos tempos. A Arábia Saudita construiu uma parte significativa da sua riqueza à custa do petróleo, mas, na hora de lançar a sua primeira marca de automóveis, a Ceer decidiu apostar na eletrificação total.

Criada em 2022, a Ceer faz parte da Vision 2030, a estratégia saudita para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo. A ideia não passa apenas por fabricar automóveis, mas por criar uma nova indústria no país, com fornecedores, produção e conhecimento técnico local.

A jovem marca nasceu através de uma parceria entre o fundo soberano saudita PIF e a Foxconn, gigante industrial de Taiwan conhecida pelo fabrico de produtos eletrónicos para algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo.

Ceer Exobot vista dianteira 3/4

Atualmente, a Ceer está a construir uma fábrica em King Abdullah Economic City, na costa ocidental da Arábia Saudita. O novo polo industrial deverá também receber uma fábrica da Lucid e vários fornecedores automóveis.

Quatro anos depois da sua criação, a Ceer estreia-se com dois modelos que parecem saídos diretamente de um filme de ficção científica. São apenas o primeiro capítulo de um projeto bastante mais ambicioso, que prevê sete modelos até 2030.

Dois elétricos que parecem protótipos

Os primeiros Ceer chamam-se Exobot e assumem a forma de uma berlina e de um SUV. A berlina mede 5,26 m de comprimento, 2,10 m de largura e apenas 1,43 m de altura. Já o SUV é ligeiramente mais curto, com 5,02 m, mantém os 2,10 m de largura e tem 1,69 m de altura.

Ambos têm portas de abertura vertical inspiradas nas asas do falcão Shahin, um dos símbolos nacionais do país, que a marca batizou de “Shahin Wing Doors”. A isto juntam-se enormes superfícies vidradas, que dispensam, inclusive, o uso dos tradicionais pilares centrais.

O desenho radical não surgiu por acaso. Em declarações à Autocar, James DeLuca, diretor-executivo da Ceer, revelou que o conselho de administração foi claro quanto ao que pretendia: “Não nos mostrem o que o resto do mundo está a fazer. Queremos algo novo, único e diferente”.

Ceer Exobot berlina vista lateral
Ceer Exobot vista lateral

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A juntar ao desenho estão números que impõem respeito. Na versão mais potente, os três motores elétricos desenvolvem 1126 cv (828 kW) e 1500 Nm. A berlina chega aos 100 km/h em 2,1 s e aos 250 km/h, enquanto o SUV precisa de 2,4 s e atinge os 210 km/h.

Ambos têm uma bateria de 112 kWh, que permite anunciar até 670 km de autonomia para a berlina e 560 km para o SUV. A arquitetura de 800 V permite carregar de 10 a 80% em menos de 30 minutos.

Ceer Exobot interior
Ceer Exobot interior
Ceer Exobot comandos físicos
Ceer Exobot ecrã central traseiro

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E há ainda uma solução pensada para resolver um dos maiores desafios do mercado onde vão ser vendidos: o calor. O vidro tem um triplo revestimento prateado e o sistema de climatização consegue baixar a temperatura do habitáculo de 65 ºC para 32 ºC em apenas 10 minutos.

O desenvolvimento contou com a Foxconn e tecnologia da BMW, enquanto a Rimac e a Hyundai Transys participam no sistema de propulsão. Apesar do aspeto de protótipos, estes são mesmo carros de produção. O fabrico deverá começar em janeiro de 2027, com as primeiras entregas previstas para março.

Sete modelos até 2030

Os Exobot são apenas a primeira etapa. A Ceer pretende lançar mais cinco modelos até 2030, incluindo uma berlina, um SUV e um SUV-coupé do segmento D, seguidos por modelos mais compactos.

Embora a prioridade seja o mercado saudita e os restantes países do Golfo, os próximos modelos estão a ser desenvolvidos com capacidade para cumprir os requisitos de homologação de outros mercados.

Isso não significa que a Ceer esteja já a preparar uma chegada à Europa. DeLuca admite essa possibilidade, mas garante que a empresa não quer crescer demasiado depressa.

“Prefiro ser aquele restaurante italiano de esquina que faz tudo bem e só depois começa a expandir-se lentamente”, explicou.

A própria tecnologia também não ficará necessariamente limitada aos elétricos. Segundo DeLuca, a plataforma foi concebida para aceitar diferentes tipos de motorização, incluindo híbridos plug-in ou extensores de autonomia, caso seja essa a solução que o mercado venha a pedir.

O objetivo é criar uma indústria

A ambição da Ceer vai, por isso, muito além de colocar dois elétricos extravagantes nas estradas sauditas. A empresa tem atualmente cerca de 2300 trabalhadores, 46% dos quais são sauditas, e pretende chegar a 45% de conteúdo local nos seus automóveis até 2034.

A estimativa é que o projeto possa gerar cerca de 30 000 empregos diretos e indiretos e, sobretudo, possa criar uma cadeia de fornecedores capaz de sustentar uma verdadeira indústria automóvel saudita: “Não estamos apenas a começar uma empresa automóvel; estamos a lançar uma indústria”, resume DeLuca.