O desporto motorizado pode ser elétrico?

Dos desafios do carregamento ao papel dos combustíveis sintéticos, o futuro do desporto motorizado foi tema de conversa mais recente.
A eletrificação já chegou ao desporto motorizado, mas substituir os motores de combustão por motores elétricos levanta questões que vão muito além da potência ou do peso dos automóveis.
Nos ralis, há um obstáculo que pode ser determinante para o futuro da mobilidade: como carregar os carros entre troços? E será que a experiência sonora importa?
Este foi um dos temas em destaque no mais recente episódio do Auto Talks, gravado ao vivo no Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico (SAHE) do Porto. A conversa foi conduzida por Diogo Teixeira, Publisher da publicação, que contou com a participação de José Pedro Fontes, piloto e diretor-executivo da Sports & You.
O futuro da competição
José Pedro Fontes acredita que a engenharia consegue aproximar as prestações dos carros elétricos à dos carros a combustão. Segundo este, o verdadeiro desafio está em criar infraestruturas que permitam carregar os automóveis de forma rápida, prática e sustentável.
Ao contrário do que acontece em estrada, onde é possível planear as paragens para carregamento, numa prova de ralis o tempo e a logística são determinantes. Os carros têm de cumprir troços cronometrados e seguir para as etapas seguintes. Desta forma, garantir energia suficiente sem comprometer o ritmo da competição é uma questão central.

Segundo o piloto, as baterias atuais ainda garantem pouca autonomia em contexto de corrida, o que exige soluções criativas para o carregamento das viaturas. Durante a conversa falou-se também sobre possíveis soluções.
Mas a eletrificação não é a única via em discussão. Os combustíveis sintéticos, o hidrogénio e as soluções híbridas também fazem parte do debate sobre o futuro da competição automóvel. A escolha da tecnologia terá de considerar não só as emissões, mas também a viabilidade técnica e as exigências específicas de cada mobilidade.
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A emoção também conta
A transição energética levanta ainda uma questão que vai além dos aspetos técnicos: o que acontece à experiência de quem acompanha as corridas? O som dos motores é uma parte importante da identidade do desporto motorizado e a mudança para propulsões elétricas obriga a pensar na forma como se mantém a ligação entre os carros e os adeptos.
“Se nós pensarmos num carro elétrico a passar sem fazer barulho não vamos ter público. (…) Mas eu já andei em carros elétricos que eu posso escolher o barulho que eu sinto no carro. (…) Isto, no fundo, é perceber o que o público quer e adaptar-nos”, concluiu.
A conversa passou também pelo futuro dos ralis em Portugal, pela capacidade de atrair novos públicos e patrocinadores, e pelo papel que a indústria nacional pode desempenhar no desenvolvimento de automóveis de competição.
Entre limitações técnicas, alternativas energéticas e a relação com os adeptos, será possível encontrar uma solução que responda às exigências da competição sem perder aquilo que torna o desporto motorizado tão apelativo?
Encontro marcado no próximo Auto Talks
Não faltam, por isso, motivos de interesse para ver/ouvir a mais recente Auto Talks, o novo formato editorial da Razão Automóvel, nas plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.