Kia K4 é um familiar à moda antiga que faz todo o sentido

Num mercado dominado pelos SUV, o Kia K4 lembra-nos porque é que um bom familiar compacto continua a fazer todo o sentido.

Kia K4 GT-Line
7/10
Há carros que querem impressionar pelos números. Outros pelo design. O Kia K4 tem uma ambição mais simples e bem sucedida: ser bom naquilo que interessa.
Prós
Chassis bem afinado
Ergonomia
Equipamento de série
Relação conforto/comportamento
Contras
Consumos
Capacidade da bagageira
Modo Eco muito conservador
Enquanto quase toda a indústria automóvel parece empenhada em convencer-nos de que o próximo automóvel tem de ser um SUV, elétrico ou, idealmente, as duas coisas ao mesmo tempo, a Kia decidiu seguir um caminho diferente. O novo K4 chega para substituir o Ceed e fá-lo sem recorrer a motorizações híbridas plug-in ou elétricas. Apenas motores a gasolina.
À primeira vista, parece uma decisão estranha. Afinal, falamos da mesma marca que tem investido milhares de milhões de euros na família EV e que hoje é uma das referências quando o assunto são automóveis elétricos.
Porém, a Kia sabe que, apesar de toda a conversa sobre eletrificação, continuam a existir milhares de condutores que percorrem longas distâncias, vivem em apartamentos sem possibilidade de carregamento ou simplesmente não querem mudar de tecnologia. Para esses clientes, um bom automóvel a gasolina continua a fazer todo o sentido.

E é precisamente aqui que entra o Kia K4. Para perceber se ainda faz sentido apostar num modelo «à moda antiga», passei alguns dias ao volante da versão 1.0 T-GDi de 115 cv, equipada com caixa automática de dupla embraiagem.
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Um familiar que não quer passar despercebido
De há uns anos a esta parte a Kia passou de fazer modelos com um visual sóbrio e discreto para apostar numa imagem que não deixa ninguém indiferente e que é capaz de conjugar, em doses bastante interessantes, agressividade e desportividade. O Kia K4, baixo e largo, é um bom exemplo disso.
A influência da filosofia Opposites United sente-se em praticamente todos os ângulos da carroçaria. A assinatura luminosa “Star Map”, herdada da família EV, aproxima-o visualmente dos modelos elétricos da marca, enquanto as superfícies vincadas e a dianteira bastante vertical lhe conferem uma personalidade muito própria.

Ao mesmo tempo, a altura reduzida — apenas 1,44 metros — ajuda a preservar uma silhueta elegante, bem distante da postura elevada que hoje caracteriza praticamente todos os SUV.
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Modernizar sem complicar
É uma tendência preocupante na indústria automóvel. Quanto mais ecrãs existem, menos intuitivos parecem tornar-se os automóveis.
Felizmente, a Kia ainda não caiu totalmente nessa tentação. O K4 apresenta um habitáculo claramente moderno, dominado pelos ecrãs, mas, felizmente, continua a reservar espaço para comandos físicos nas funções que realmente utilizamos todos os dias. Parece um detalhe menor, mas basta conduzir alguns quilómetros para perceber a diferença.


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A climatização continua a ser fácil de utilizar, os comandos do volante estão onde esperamos encontrá-los e praticamente tudo funciona de forma intuitiva. É um automóvel que não obriga o condutor a aprender uma nova linguagem.
Também a posição de condução merece elogios. Estamos sentados relativamente baixos, como num hatchback tradicional, e isso acaba por reforçar a ligação ao automóvel. Para melhorar, os bancos desta versão GT-Line oferecem um bom compromisso entre conforto e apoio lateral.


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No campo da qualidade, naturalmente, existem plásticos mais rígidos nas zonas inferiores do habitáculo, algo perfeitamente normal neste segmento. Em compensação, as superfícies que realmente tocamos apresentam uma qualidade percebida interessante e uma montagem sólida, confirmando a evolução da Kia nos últimos anos.
Por fim, quanto ao espaço atrás, dois adultos viajam confortavelmente graças à distância entre eixos generosa, mas a bagageira, com apenas 328 litros, obriga a repensar quantas malas se levam na hora de viajar.
Solícito, mas guloso
Os 115 cv do três cilindros 1.0 T-GDi não impressionam na ficha técnica, mas chegam para mover o K4 com agradável à vontade.
A caixa automática de dupla embraiagem merece parte desse mérito. As passagens são rápidas, suaves e, na maioria das situações, com o motor na faixa ideal de utilização.
A exceção chama-se… modo Eco. Nessa configuração, a prioridade passa claramente por reduzir consumos e a caixa de dupla embraiagem entra numa espécie de piloto automático demasiado conservador. As reduções demoram, o acelerador perde vivacidade e o K4 transforma-se num automóvel demasiado complacente. A solução? Ignorar este modo.
Até porque, mesmo quando o selecionamos, os consumos não impressionam. Num percurso misto foi relativamente fácil andar acima dos 7,0 l/100 km e, em cidade, os 7,7 l/100 km apareceram com demasiada frequência para um motor de apenas um litro.
Em autoestrada, a 120 km/h estabilizados, o computador de bordo andou pelos 5,5 a 6 l/100 km, um valor mais interessante, mas ainda longe de referencial, especialmente quando nos lembramos de que estamos perante um pequeno três cilindros com sistema mild hybrid.
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Levem-no para as curvas
Se os consumos nunca chegam a impressionar e o motor se limita a cumprir, o chassis merece elogios sem reservas. O K4 transmite confiança desde os primeiros quilómetros. A dianteira agarra bem ao asfalto, a suspensão controla eficazmente os movimentos da carroçaria e, forma geral, existe uma solidez que normalmente só associamos a modelos de segmentos superiores.
Não é um GTI disfarçado. Mas também não é um eletrodoméstico com rodas. À medida que as curvas se sucedem há algo muito satisfatório na forma como este chassis trabalha. Deixa-nos explorar um pouco mais cada curva, comunica o suficiente sem nunca sacrificar o conforto e encontra um equilíbrio que a maioria dos SUV simplesmente não conseguem replicar.
Também a direção merece elogios, especialmente por apresentar um peso interessante sem tornar-se demasiado pesada durante as manobras.
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A Kia posicionou o K4 exatamente onde devia. Não pretende ser a proposta mais barata do segmento, nem a mais sofisticada. Procura antes oferecer um pacote equilibrado, onde entram a qualidade de construção, uma boa dotação de equipamento e uma das melhores garantias do mercado.
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Os 35 000 euros pedidos estão na média do segmento, mas se contarmos com as usuais campanhas da Kia é possível comprar um K4 como este por pouco mais do que custa um B-SUV. E trazemos para casa um carro que além de competente e completo, nos recorda de que conduzir não tem de ser só ir do ponto A ao ponto B.
Por exemplo, com a campanha em vigor à data de publicação deste artigo, o Kia K4 está disponível por cerca de 30 mil euros.
Kia K4 GT-Line
7/10
No fim de contas, o Kia K4 convenceu-me pelo equilíbrio. Não é o mais rápido, nem o mais económico, mas é bastante homogéneo e não é fácil encontrar-lhe defeitos. É confortável, competente, fácil de usar, tem personalidade e até chega a ser divertido de conduzir. Num mercado onde quase tudo parece querer ser SUV, ainda há espaço para um bom familiar compacto.
Prós
Chassis bem afinado
Ergonomia
Equipamento de série
Relação conforto/comportamento
Contras
Consumos
Capacidade da bagageira
Modo Eco muito conservador
Versão base:35.000€
IUC: 111€
Classificação Euro NCAP:
5/5
35.550€
Preço unidade ensaiada
Arquitectura:3 cilindros em linha
Capacidade: 998 cm³ cm³
Posição:Dianteira transversal
Carregamento: Injeção direta, turbo, intercooler
Distribuição: 4 válv./cil.; 12 válv.
Potência:
115 cv às 6000 rpm
Binário:
200 Nm entre as 2000 e as 3000 rpm
Tracção: Dianteira
Caixa de velocidades: Automática de sete velocidades
Comprimento: 4440 mm
Largura: 1850 mm
Altura: 1435 mm
Distância entre os eixos: 2720 mm
Bagageira: 328 litros
Jantes / Pneus: 225/45 R17
Peso: 1495 kg
Média de consumo: 5,7 l/100 km
Emissões CO2: 130 g/km
Velocidade máxima: 186 km/h
Aceleração máxima: >12,3s
Tem:
Imobilizador e alarme
Driver Attention Warning
High Beam Assist
Ar condicionado automático bi-zona
Lane Assist
Smart cruise control com start & go
Câmara de auxílio ao estacionamento
Hill assist control
Sensores de estacionamento traseiros e dianteiros
Patilhas no volante
Sensores de luz e chuva
Modos de condução
Sistema de infoentretenimento com ecrã de 12,3”
Android Auto e Apple CarPlay
Carregador wireless para smartphone
4 entradas USB-C
Banco do condutor elétrico e com apoio lombar com regulação elétrica
Bancos dianteiros aquecidos
Iluminação interior em LED
Pedais desportivos
Faróis dianteiros em LED com assinatura luminosa “Ice Cube”
Jantes de liga leve de 17”
Retrovisores elétricos aquecidos e rebativeis eletricamente
Vidros traseiros escurecidos
Pintura metalizada “Morning Haze”: 550 euros