Carregamento elétrico. O que vai mudar em Portugal em 2027?

No final de 2027 vai entrar em vigor um novo regime de mobilidade elétrica, que vai simplificar as regras para os carregamentos.
O carregamento de automóveis elétricos em Portugal vai entrar numa nova fase a 31 de dezembro de 2027, data em que termina o atual período de transição para o mercado liberalizado.
Em agosto de 2025, o Governo aprovou um novo regime para a mobilidade elétrica, que prevê simplificar as regras de carregamento, nomeadamente através do fim da obrigatoriedade de contratos com operadores, da possibilidade de pagamento direto nos postos públicos e da expansão da rede a todo o território.
O tema foi abordado por Sílvia Amaral, administradora da Mobi.E, numa conversa com Diogo Teixeira, no âmbito do Auto Talks, um podcast da Razão Automóvel com o apoio do Credibom. A conversa foi gravada ao vivo no Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico, que decorreu na Alfândega do Porto.

Operadores podem sair da plataforma
Até à alteração legislativa, a ligação dos operadores à plataforma da Mobi.E era obrigatória (Decreto-Lei n.º 90/2014, de 11 de junho). Com a entrada em vigor do novo regime, iniciou-se um período de transição durante o qual os operadores e comercializadores de energia podem optar por permanecer na plataforma ou sair.
Este período, como mencionado acima, termina a 31 de dezembro de 2027, altura em que, segundo Sílvia Amaral, a Mobi.E passará a operar num mercado liberalizado, em concorrência com outras empresas.
Ora, a saída de operadores poderá comprometer a interoperabilidade atualmente assegurada pela plataforma. Caso um operador deixe de estar ligado à Mobi.E, os seus postos deixam de beneficiar da integração com os restantes operadores que se mantenham na rede.
A empresa pretende, por isso, convencer os operadores a manterem a ligação à plataforma. “Aquilo que nós pretendemos é que esta alteração, esta passagem da alteração do regime, mantenha um bom serviço”, afirmou a representante, referindo-se à necessidade de assegurar uma transição sem perturbações para os utilizadores.
Sílvia Amaral usou Espanha como um exemplo do risco de fragmentação do mercado. Segundo descreveu, os condutores podem ter de recorrer a vários cartões e serviços para encontrar uma solução de carregamento compatível. A intenção da Mobi.E é evitar que esse cenário se verifique em Portugal.

Preços mais transparentes
A mudança prevista para 2027 também poderá simplificar a forma como são apresentados os custos de carregamento. Atualmente, o preço final pode resultar de vários componentes, incluindo o custo de energia e diferentes taxas associadas à utilização do serviço.
Sílvia Amaral antecipou que os preços deverão tornar-se mais transparentes. “O preço vai ser muito mais simples e, portanto, mais transparente”, afirmou.
A simplificação está relacionada com as alterações ao modelo de funcionamento do setor e à estrutura tarifária. Ainda assim, a entrevistada reconheceu que o cálculo do preço não será necessariamente simples em todas as situações.
Consumo de energia continua a aumentar
A expansão da mobilidade elétrica está também a aumentar a utilização da infraestrutura de carregamento. Segundo os dados apresentados pela responsável, “a energia consumida nos postos de carregamento aumentou 38% em relação a 2025”.
Questionada sobre a capacidade da rede para acompanhar o crescimento do parque automóvel elétrico, Sílvia Amaral explicou que o investimento em novos postos é feito em função da procura. A expansão depende, porém, de processos que dependem de vários fatores, desde a disponibilização dos espaços até ao licenciamento e à instalação dos equipamentos, pelo que pode demorar.
A entrevistada considera que os operadores estão a responder à procura, incluindo através da entrada de empresas estrangeiras no mercado português. Ainda assim, reconheceu que o desenvolvimento da infraestrutura não está necessariamente a acompanhar ao mesmo ritmo o crescimento das vendas de automóveis elétricos.